sábado, 17 de janeiro de 2009

Ostra feliz não faz pérola


O título do texto, assim como ele inteiro, é uma espécie de comentário às linhas escritas pelo Elih {vide o link do blog "Diarréia espacial" do lado esquerda da minha página}. O texto vem de uma entrevista com o Rubem Alves, na qual ele diz que "ostra feliz não faz pérola". Para entender a relação feita, o Elih explicou muito bem: "Quando um grão de areia entra numa ostra acontece uma espécie reação alérgica. O grão de areia fere a ostra. Para se proteger, 'ela faz' um tumor. Esse tumor é a pérola. Ou seja, ele quis dizer que quem não sofre nunca contribuirá com as artes".
Concordo com Rubem e com meu amigo, realmente a arte vem de algo muito maior, vem também do sofrimento, da angústia transformada na vontade de se livr
ar de tudo de ruim que invade a mente. Entretanto, será que não é possível enxergar que sem sofrimento não há felicidade, portanto quem sofre é feliz?
O artista é 1 sofredor por natureza. Ele interioriza seus sofrimentos e os transforma em beleza de textos, atuações, danças sem fim. Isso não quer dizer que não haja felicidade. Ao transformar a tristeza em arte não se faz mais do que transformar a dor em algo de que se deleitar, vangloriar, amar e se sentir bem e feliz.
A arte é intensa como deve ser a felicidade e o sofrimento. Todos nós sofremos e o que parece ser avassa
lador para mim é uma besteira para você, mas é de cada sofrimento e de cada experiência de vida que se constroem personagens, passos, poesias e sobe-se a estrada da intensidade [vide meu texto "em busca da intensidade"].
Agradeço a Deus por ter alma de artista. Aquela alma inquietante que não se satisfaz com nada e tudo nunca está bom. Aquela alma de quem sente algo ruim e escreve, porque não importa quem leia ou o que pensem, se aliviará e estará bem ao marcar o ponto final. Aquela alma de quem estressou-se durante o trabalh
o, mas ao chegar no palco de madeira transforma a cara de dor em um sorriso magistral simplesmente por respirar aquele ar. Uma alma que canta para se desafiar e superar. Aquela alma curiosa de artista que percorre todos os campos possíveis.
A minha arte se cofunde em todas as supra-citadas e o que você diria? Que eu sofro mais que os personagens de Edgar Allan Poe? Talvez sim, talvez não. Eu diria que eu sou feliz por me aventuro em todas as artes que amo e que até você Elih, querido, é feliz.
É muito fácil reclamar, isolar-se, fugir de si mesmo e até se matar [grandes artistas o fizeram ou se muti
laram], mas o difícil é enfrentar os palcos da vida e pintar nela o seu auto-retrato. Dançar sobre o sofrimento e cantar mais alto do que os prantos.
Sim, ostra feliz não faz pérola, mas depois de formada a pérola é transformada em um belo colar e a ostra pode voltar a ser feliz.

Enquanto reclamamos, tem gente morrendo de fome na África [interna]. XD



W.A.M.

5 comentários:

Poly Jomasi disse...

é sábias palavras vam! esse sentimento de inquietude dá mais razão ao artista para desenvolver a sua arte... e como é bom ter um espaço, um refúgio que para mim são as letras e o palco... ^^ bju linda!

Wânyffer Monteiro disse...

ainda bem q vc entende ahsoiauh tb se n entendesse, qum ia entender? ashoaiuhsau
bjo, bonequinha

Elih Alcântara disse...

Quando escrevi aquele texto estava me lembrando do meu pintor favorito (Van Gogh). Acho que quando escrevo não deixo minha mente se expandir a maiores possibilidades. Depois que li esse teu último texto me lembrei do Picasso. Acabo de começar a considerá-lo um artista verdadeiramente feliz. Comedor e bêbado.

Camiℓa Oℓiveira disse...

Por que os textos que contém sentimentos de angústia, tristeza e sofrimento atraem mais? Quando falam de boas lembranças e sensações, a tendência é dizer ser muito meloso e sem sal.
É importante poder transformar o trágico no belo, mas não necessariamente precisamos sofrer sempre para produzir uma arte, uma pérola.

Wânyffer Monteiro disse...

eu te admiro, guria