quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Hoje eu cantei na chuva


Não, o título do texto não é apenas uma relação ao grande "Cantando na chuva" e nem falarei apenas de como queria ser o Gene Kelly. Hoje, eu fui o Gene Kelly.
Qual é a sua rotina? Você acorda, vai trabalhar, almoça, volta ao trabalho e à noite tem horário para ler, comer e para ver a novela? Estamos tão acostumados à rotina que quando algo dá errado ou muda é como se quebrasse nossas pernas e perguntasse-mo-nos: "E agora? O que eu faço das 9:30 às 11h"? A resposta está bem aonde não pode-se enxergar, ou não queremos ver.
Por que não aproveitar o tempo que nos foi oferecido para fazer algo que gostamos e não fazemos há muito tempo, mas fazê-lo como se fosse a primeira vez?
Hoje nenhum compromisso foi desmarcado e eu não tive espaços vazios pela manhã, mas algo reconfortante e acalentador quebrou minha rotina: a chuva. Saindo do consultório médico a chuva irrompeu como se tivessem jogado de uma vez lá do céu provocando uma forte pancada no solo. Ela veio avassaladora e em outros dias, mesmo com guarda-chuva, eu a esperaria passar, mas não o fiz. Deixei o guarda-chuva na bolsa e pus os pés na rua. Fui caminhando e me encharcando, a chuva era tão forte que as ruas haviam virado correntezas, mas não me aturdi, deixei as águas rolarem e rolando pelo meu corpo elas levaram todos os pensamentos, não só os ruins, mas também todos os outros. Deixei o ônibus de lado e fui à pé, o que custava levar mais tempo para chegar a casa? Os únicos pensamentos que remanesciam na minha mente mundana eram a lembrança de um filme e a melodia de sua música principal e por um momento lembrei de um certo exercício feito pelo Aldrey [amigo e orientador vocal] em um ensaio ontem e deixei a música me levar e, literalmente, cantei na chuva. O guarda-chuva na mão, a água pelo corpo e a melodia no coração. Cantei "singing in the rain", depois "New York New York" e mais alguns tantos sucessos do mestre Sinatra tão pouco conhecidos.
O medo me acometeu só por um instante quando lembrei que poderia fazer mal à garganta, mas continuei, eu havia tomado o Targifor C recomendado pelo médico ao acordar ^^. Fiz bem em continuar, afinal há quanto tempo não tomava banho de chuva [ok, eu tomei na sexta e inclusive escrevi sobre isso aqui, mas não foi tão intenso. Vide texto: "Um tênis, um jeans, uma vontade e ela"]?
A chuva foi se dissipando e eu diminuindo meus passos e cantando "Strangers in the night" e "Love is for the way you look at me" e senti-me em mais um exercício teatral. A minha velocidade foi diminuindo e o nível era mestrado pela chuva.
Cheguei em casa ensopada, roupa encharcada, cabelo embaraçado, óculos embaçado e a alma límpida e serena.
Bem-aventurada seja a chuva, pois ela vem do reino dos céus e leva-nos a ele se deixar-nos levar.
Hoje eu fui Gene Kelly, mas quem sabe amanhã eu não viro Ginger Rogers? Alguém aí quer ser Fred Astaire? "Shall we dance"?
;D

W.A.M.


Tirinha de hoje

Um comentário:

Poly Jomasi disse...

é bom ner quando a vida nos reserva surpresinhas maravilhosas como essa... saber apreciar essas pequenas alegrias torna a vida mais linda do que ela já é!!