segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Amargo dezembro

Aquela garota detestava o mês de dezembro e aquilo estava escrito no rosto dela, nas atitudes dela, principalmente nos olhos. Não que não gostasse de ter nascido naquele mês, na verdade não teria escolhido outro, mas não lhe trazia boas lembranças.

Como se não bastasse as más lembranças dos aniversários, das pessoas trancadas em um quarto da casa para não ter que encará-la quando completava suas primaveras, foi também em dezembro que sua vida faleceu. A vida que cuidou dela quando era um bebê e que há muito era cuidada por ela, tomava banho pelas mãos dela, e também há muito nem sabia que ela era sua neta. Foi em dezembro que a sua vida se foi sem nem lembrar quem ela era. Só lembrava que não era feliz quando voltava à lucidez em momentos raros nos quais se desprendia da época longínqua na qual a doença lhe prendeu. Sua vida era fraca, não se segurava nas próprias pernas, mas com certeza não havia perdido a sinceridade do olhar. Era de família falar com os olhos. E ela se foi uma semana depois do nascimento da menina e uma semana antes do natal.

E o natal... não costumava ser tão ruim, mas lá estava ela. Entre uma família que se odiava e pessoas que amava. Olhou para a cadeira ao lado e ela estava vazia. Ela olhava e via os fantasmas dos natais passados, a cadeira vazia involuntariamente há 4 anos e a cadeira recém vazia, porque não cabia mais ali.

O calor daquele mês a sufocava, mas ele tinha sua mágica. Ele a aproximava daquela outra mulher que ela nem mesmo sabia como ainda se aguentava nas pernas, mas sabia que tinha um coração como nenhum outro já feito por Deus. Um coração tocado por Midas e intocado pela maldade humana. E ela sonhava um dia poder ser que nem aquela mulher, ou como aquela outra que falecera há quatro anos... e via que o aquele mês não era tão ruim, pois foi nele que ela dera o maior presente que sua mãe já houvera ganho na vida: a sua própria vida. E, somente por isso, ela fazia questão de viver muitos dezembros mais.

Sua vida não havia ido embora em dezembro, ela havia chegado e dado força para superar os outros onze meses do ano.


W.A.M.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Como se mede mesmo?

Naquele lugar tudo era lembrança. Memórias dançavam como fantasmas à sua frente, contando histórias alegres como naqueles tempos.
Sentada no sofá, o vento gélido e forte acariciando os cabelos, ela via os amigos, as risadas, aquela prova de roupas marcante, aquela noite de brincadeiras, aquele dia choroso, o primeiro beijo de dez andares, o primeiro grito por leite, os primeiros amigos que a fizeram sentir viva.
Os fantasmas simplesmente caminhavam e refaziam os momentos como se fossem orogramas despropositais com o maior dos propósitos: lembrar que nada foi por acaso.
Por mais que aqueles corpos à sua frente não fossem compostos de músculos e não tivessem em si orgãos pulsantes, eles emanavam amor. Um amor que não podia ser medido em tempo, trabalhos ou festas, mas nas vezes nas quais os corações daqueles fantasmas bateram acelerados em uníssono.
Isso ninguém poderia tirar-lhe, pois o presente ou o futuro não mudam o que não pode deixar de ser.

W.A.M.

A rubra paz

Ele cansou. É... simplesmente cansou, só não sabia porquê. Arfava naturalmente, a fala era soprada e trêmula como as pernas cambaleantes. Passara o dia só, deitado na poltrona da sala, olhando para as paredes cor de gelo e estava cansado.
Farto de não entender a indisposição que o acometia, ligou o seu velho carrinho preto e o direcionou para... para algum lugar, não sabia onde, só queria um lugar para descansar. Estava cansado.
Não era seu costume correr muito, mas não conseguia controlar o próprio corpo e o pé parecia pesar no acelerador. Pisou fundo, enquanto a velocidade aumentava. Entrou na BR e se antes estava preocupado com o descontrole do corpo, agora se via feliz, pois ele libertava a mente e a mente voava como uma Ferrari ao mesmo tempo que ele corria em seu carrinho popular.
Os prédios viraram borrões cinza, pareciam fumaça passando pela janela e logo pareciam rascunhos verdes que não paravam de colorir sua visão. Ele gostou e queria mais cores. Talvez pisar fundo fosse como pintar um novo mundo mais colorido e interessante que o seu. Talvez além do cinza e do verde, pudesse colorir o mundo com uma cor mais... humana. Por isso correu e pisou fundo até o último ponto do velocímetro.
Enfim viu ao longe um ponto bege movimentando-se junto com as cores que a velocidade produzia. O ponto foi chegando perto, bem perto, bem perto... Perto o bastante para que ele notasse que era engano.
A única cor viva naquele pedaço de estrada, logo enrubesceu. Ficou de um escarlate que não transmitia mais cansaço e sim... paz.

W.A.M.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Remember the time...

"Você só deve gostar de quem gosta de você". Essa foi uma frase marcante do meu dia, com certeza. Mesmo que eu já soubesse e viesse pensando nisso há um bom tempo, é sempre mais marcante quando outrem diz [por que será? Ok, isso é tema para outro post].
Há pessoas que passam os dias lamentando porque certo alguém não deu certo nas suas vidas ou outro alguém não tem o santo compatível com os delas. Bom, não há como fugir de tais lamúrias, mas seria tão mais fácil e prazeroso se pensássemos que podem 5 pessoas não darem a mínima para nós, desde que pelo menos uma se importe.
Sim, é verdade. Pois aquela única pessoa que se importa deve importar mais para você do que os outros, afinal, como disse, ela é única. Cada pessoa que se importa é única e especial e merece toda sua consideração em retorno. Não por obrigação, mas por amizade, por prazer de doar o que há de mais importante: o sentimento.
Então, em vez de lembrar daquelas pessoas que te fazem mal e que não lhe dão a mínima, que tal lembrar:
daquele amigo que te dá os melhores abraços e seria capaz de fazer inimigos por você;
daquele amigo na dele que te conforta com um olhar e poucas palavras e que passa todo seu carinho num simples beliscão carinhoso;
daquele outro amigo quieto e íntegro que te conhece bem, com quem você se preocupa mais do que com você mesmo;
daquele amigo que você mal vê, mas que te protege e dá os melhores conselhos;
daquela amiga de infância com quem você fala com o olhar;
daquele amigo de infância que será amigo de aposentadoria;
da amiga que está segurando sua mão;
daquelas outras que tão bem longe, mas que sempre foram as melhores companhias;
ou mesmo daquela amiga que de tão amiga virou irmã.
Lembrou de muita gente, não é? Talvez haja ainda mais. Basta colocar um bom colírio nos olhos e pegar toda a energia que você poderia utilizar em lágrimas por alguém, no amor que você pode dar a quem daria lágrimas por você.

W.A.M.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Esperando o inesperado


Sozinha, em uma noite qualquer, sento na poltrona da qual não é possível ver a lua. A única luz que invade a janela vem da artificial fonte no alto do poste cinza.
Ninguém estava em casa, além de todas aquelas pessoas de diferentes sentimentos que compõem o meu eu e que já não mais reconhecia. A fim de curtir o lirismo abundante que acometia aquela casa cinza de pedras frias, fiz um tal chocolate que dizem que quando quente, aquece a alma.
Sentada, roupas de trabalho, pés descalços, esperei. Esperei a lua apontar na janela a fim de vê-la pontuda ou cheia e vibrante. Esperei não ver mais nuvens ou o cinza das residências lá fora. Não, não esperava a lua somente. Esperava, simplesmente. Algo que chegaria sem pedir licença e sem ter cerimônia alguma. Esperava algo que sabia que não chegaria.
Lá fora, o dia nublado não dava nem a alegria simples da chuva que tiraria a poeira daquele cinza. Ou mesmo que poderia trazer o inesperado esperado - ou seria esperado inesperado? - de alguma forma inexplicável.
Os olhos já fechavam em um surto narcoléptico provocado pelo cansaço dos pés latejantes e do coração apático. O esperado inesperado chegou de mansinho, silencioso. Observou por um momento e deixou um recado. Não, não um recado, um sinal.
Ao acordar, mesmo que chovesse torrencialmente, era possível ver a lua circunscrita no céu anil.

W.A.M.

Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio. - Caio Fernando Abreu

domingo, 22 de novembro de 2009

Sobre Um Show de Jantar

Gente, a estréia de Um Show de Jantar foi um Sucesso. Todo mundo adorou! Aliás, todos meus colegas arrasaram!!!!!


Aline Costa [Nêga]: Arrasaaaaa no vídeo e mais do que merece entrar no show cantando Cell Block Tango;
André Gress: Tornou tudo possível e fez as marcações geniais que fizeram a galera adorar o show;
Aretha Karen: A voz linda e IM-PE-CÁ-VEL mesmo com um nódulo e uma fenda =s;
Clara Dourado: Três ensaios e tá melhor que a gente que ensaiou muito ¬¬ Voz perfeita;
Eurico Mayer: Bom, pra que atuação melhor, né? Se garante MUITO;
Gerardo Matos: O que é esse homem cantando e atuando? Ele com certeza canta a música mais notável, menos cellophane;
ícaro Sampaio: "O" cara do show. Dança, canta e atua... tudo bem. Meu maior orgulho há dois anos;
Karla Brito: Hilária no vídeo! Com certeza a graça daquela cozinha;
Pedro Parente: Impagável de Edna, nem todo mundo tem essa coragem e faz bem;
Priscila: Voz liiiiinda de Julie Andrews cantando uma música que já foi interpretada pela Merryl Streep. Arrasando;
Wanessa Góes: Sempre DIVA! Canta o segundo melhor Elephant Love Medley que já ouvi [perdendo só pra Nicole, claro hehe]. Quando crescer serei que nem ela;


Fora, é claro, quem está atrás do palco tornando tudo possível: Elton, Solon Farias Neto, Natália, Anderson, João Vitor, Mirela, Paulo, Lino, Samanta, a própria Nêga que não cansa de ajudar...

Muitíssimo obrigada a todos e parabéns para nós XD
Com ou sem público nós somos bons e vamos continuar arrasando ;]

W.A.M.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Estréia amanhã!


Na véspera da estréia [sim, ainda prefiro utilizar o acento] de mais uma peça, curtindo a torrencial dor de cabeça que me acomete, me sinto calma. Calma como se amanhã não fosse um dia especial, como se fosse apenas mais uma apresentação.
Nunca é. Talvez a dor de cabeça seja um jeito que meu corpo achou pra demonstrar que eu fico sim nervosa, talvez seja apenas causada por stress e muito trabalho. Só sei que amanhã não é mais uma estréia, é "A" estréia, assim como devem ser todas.
Nosso trabalho de cinco semanas foi suado [e como], duro, sofrido, cheio de mal-entendidos, mudanças de marcações e pessoas, mas chegamos lá. Amanhã é a estréia, mas eu sei que ainda não demos o melhor de nós e podemos fazer ainda melhor. Melhor amanhã que o ensaio de hoje, melhor depois de amanhã do que a estréia, melhor no segundo final de semana do que neste.
Bom, amanhã é a estréia e espero que meus amigos que lêem essas besteiras que aqui escrevo, possam ir prestigiar a mim e aos meus amigos cantando os musicais da broadway.

See ya!

W.A.M.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Engula seus problemas!

A alegria é definitivamente um estado de espírito que todos deveriam carregar. Um sorriso de lado, um andar suave, uma vontade de dançar... São coisas que acontecem do nada e te deixam mais leve e renovado. Contudo, não é apenas disso que se vive.

As pessoas estão dispostas a aceitarem de braços abertos as cachoeiras de sorrisos e a verborragia que invade a sala, mas à iminência de uma lágrima, elas fogem, escondem-se, deixam-lhe no impasse de crer ser egocêntrismo querer um aperto de mão ou de ser escassez de amizade não recebê-lo.

Aprendi com uma amiga que as pessoas são atraídas por sorrisos e claro que é verdade. Quem em sã consciência seria seduzido por um cenho emburrado? Fazendo uma releitura, creio que ela quis dizer que as pessoas somente são atraídas por sorrisos. E quem pode dizer que não?

W.A.M.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nó cego

Linhas traçadas naquelas mãos sofridas
Traçadas, laçadas, entrelaçadas
Fazendo 1 trajeto impossível de desvencilhar
Elas enroscam em outras linhas e formam um nó
Apertado, justo como o olhar dos amantes
Duas solitárias criaturas amarrando a linha da vida à linha do amor
A linha rabiscada daquelas mãos
Cheia de intervenções, mistérios, rudes ocasiões aprisionantes e defectíveis
A linhas laçavam umas às outras
Como intermitências sorridentes e caleidoscópicas
Abatida, a dona daqueles caminhos, caiu
Caiu em si, caiu no outro
Levou consigo suas linhas interrompidas e sua pele ríspida e calejada
Abatida, só conseguia pensar naquelas mãos acetinadas que um dia entrelaçaram-se com as suas
E não mais que de repente, ainda se vê presa por um nó que a segura
De um modo que a permite cair, mas que não a deixa chegar ao chão.

{Sobre a minha intermitência mais defectível. A única interferência no meu coração.}

W.A.M.

sábado, 26 de setembro de 2009

Numerologia

Quando se tem mais coisa pra fazer é que se arruma mais inutilidades para ver. Foi aí que dui atrás de ver minha numerologia na internet e fiquei até satisfeita. Parece muito comigo. Aqui vai:



Lição
DE VIDA
3
O numero de sua data de nascimento. O que viemos aprender nesta jornada, assim como dificuldades a serem superadas.
-->
3.
Aprenda a se expressar com clareza, pois possui esse dom, quer falando, escrevendo ou representando. Desenvolva a persistência, a firmeza e a tenacidade, procurando seguir suas intuições. Seja criativo, pois possui boa imaginação e senso de humor, o que muito o ajudará socialmente. Evite dispersar talentos, direcione sua energia para objetivos firmes e concretos. Desenvolva o senso de responsabilidade. Não seja impaciente nem crítico demais.



SUA
ALMA


5
Sentimentos mais profundos, o que nos motiva, experiências e informações acumuladas para lidarmos nesta encarnação. O numero referente às vogais de seu nome.
-->
5.
Atuante, muito inteligente, versátil, dinâmico, você tem facilidade de adaptação à qualquer ambiente. Aventureiro, magnético, inclinação filosófica e intelectual, gosta de viagens, de investigar, de mudanças e de promover eventos; está sempre em busca de aventuras para conhecer o novo. Ama a liberdade.
Deve cultivar paciência e a concentração, pois como é muito rápido, perde o interesse pelas coisas ou por alguém com a mesma facilidade com que as conquistou. Não gosta de rotina e pormenores.



SUA APARÊNCIA

7
Nosso eu exterior ou impressão que causamos aos outros. Como somos julgados à primeira vista. Ex: como estamos vestidos, nosso tipo físico, atitudes, etc... Mas só aqueles que nos conhecem na intimidade nos conhecem verdadeiramente. O numero referente às consoantes de seu nome.
-->
7.
Distinto e muito refinado, aparenta ar de intelectual, mas veste-se com sobriedade. Intuitivo, reservado, observador, sente-se atraído pelo místico, sempre buscando compreender as leis espirituais. Solitário sempre absorvido pelos pensamentos, não permite a invasão da sua privacidade. Não recebe bem uma brincadeira fora de hora. Gosta de estar em contato com a natureza, com a quietude para meditar. É de pouco falar.



O QUE
VOCÊ É

3
Todas as letras que compõem seu nome.
-->
3.
Jovialidade, alegria e popularidade nos ambientes que frequenta, estão muito presentes em você. És uma pessoa dotada de grande talento para se expressar, quer falando, quer escrevendo ou ainda em qualquer área de comunicação, pois possui elevada criatividade. Sabe se fazer admirar pois está sempre bem informado. De caráter franco e leal, aprecia estar com a família e não se aborrece com facilidade. Possui força de vontade e muita determinação. Facilidade para ganhos. Fique atento para não desperdiçar talentos e supere as eventuais críticas. Tenha sempre um objetivo.



DESEJO INSTINTIVO

a
A primeira vogal do nome, mostra nossos impulsos emocionais e como reagimos diante de estímulos externos. Descubra como reage aquele (a) que você ama.
-->
A
Interesse por idéias novas, gosta de mostrar criatividade. Prazer em sentir-se diferente e defender seu ponto de vista mesmo que o mundo inteiro esteja contra. Não gosta de sentir-se dirigido e tem tendências a aceitar conselhos somente quando coincidirem com aquilo que acredita.
Conselho: Seja bem sutil e discreta ao impor suas vontades.



SEU NÚMERO DE PODER

6
Todas as letras que compõem seu nome, mais a sua Data de Nascimento. Essa vibração ajuda no aprendizado de nossa missão ou lição de vida. Aquilo que você acertou com a Divindade antes de nascer. Funciona como um farol dirigindo nossa vida.
-->
6.
Tem o poder da conciliação, bondade e equilíbrio, é excelente mediador podendo ser o grande pilar da harmonia principalmente junto à família.




quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Nota mental de hoje

Quem foi que disse que é preciso de muito pra sorrir?
Se a dor aperta o peito, respire fundo até ela ir embora. Porque da dor podem sair as mais belas poesias, mas é da alegria que vem o porquê de viver e sem vida não há arte.
Tentar consertar as coisas ou desviar os elementos de seu destino derradeiro de nada adianta. O que adianta é fazer a sua parte para ajudar o futuro, mas nele ninguém pode mexer.
A tristeza de hoje pode ser a alegria de amanhã. O importante é balançar as asas de fogo e lembrar que quando elas virarem cinza, voltarão a queimar de vida no próximo capítulo.

W.A.M.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Na corrida pelo ouro de tolo

Um turbilhão louco de sentimentos disputa uma corrida na minha cabeça como se a bandeira quadriculada nunca chegasse.
Afinal, o que é felicidade para você?
Estar com os amigos? Trabalhar o dia todo? Um jantar em família? Sorrir? Ser feliz parece ser tão simples, mas esse sentimento de um xadrez traiçoeiro, ludibria.
Para uns felicidade é estar com pessoas amadas, mas e quando você exige demais simplesmente porque crê que dá demais? Você ao menos tem o direito de fazê-lo?
Não se sabe... O que sei é que a vida é uma doação infinita, onde a minha felicidade depende da felicidade dos meus amigos, mas em alguns momentos a vida também é escambo.
O que aprendi é que nada mais é certo, porque quando você tem pessoas a quem recorrer, elas podem ir apenas por conveniência ou porque encontraram alguém que as entenda melhor. Elas sempre estão preocupadas com você quando está sorrindo, mas viram um trio de macaquinhos quando lhe vêem chorar. Ou melhor, como um dos macacos faz, simplesmente não vêem.
Ser feliz é tão simples... Mas o que é? Contar seus problemas pra uma boa amiga? Ouvir aquele amigo triste? Estar com um cara legal? Ter um jantar de família regado com álbuns antigos? Algumas pessoas simplesmente não têm isso. Mas porque reclamar mesmo? Outras não têm jantar em família porque não têm o que comer...
E se o escambo vier, por favor, guardem o ouro de tolo, pois a essa altura já aconteceu um engavetamento na minha cabeça e vai levar tempo pro reboque chegar.

{E isso não tem que fazer sentido, aliás, não fez! É só o meu racha mental que ainda não cessou...}


W.A.M.

domingo, 13 de setembro de 2009

O pecado da criação

E quando a boca foi calada, o rosto empalideceu e virou moldura. Uma tela em branco onde outra boca era desenhada, pintada, detalhada em cada pequeno traço.

Logo a branca tela tornou-se rubra e quente como se estivesse sendo pintada com o fogo da paixão mais doce e perversa, mais singela e arrebatadora.

O desenho foi tomando vida. Traços e cores surgiram como se fosse o dedo de Deus desenhando um Adão que já existia, mas precisava de fôlego para começar a viver. Não foi do pó que esse Adão surgiu, mas da boca de uma Afrodite que oferecia-lhe o mais suculento fruto existente.

Então vieram os olhos que demoraram, só eles, sete dias para ficarem prontos. Doces, profundos e cortantes olhos azuis-esverdeados onde poder-se-ia ver a criação, do azul infinito do firmamento e do reino de Poseidon, ao recanto sombrio e envolvente da mãe natureza.

A paixão tornou-se amor ao perder-se naqueles olhos de algodão, que pareciam ter uma forma diferente a cada olhar. Pareciam falar.

Estava completo, a não ser por uma costela que não faria falta. Era a vida finalmente bombeando seu sangue, como se antes faltasse uma metade e agora não mais.


W.A.M.

sábado, 5 de setembro de 2009

A fase escarlate de Picasso

Uma sem nome nas esquinas da vida. Uma pedinte de bares mesquinhos buscando uma alcova para o corpo, um Sinatra para o coração e algum Nietzsche para a mente.

Provocando em cada local o estranhamento como se não soubesse o que provocava um olhar faceiro de menina moleca tentando ser mulher.

Um vinho pra esquentar o coração e o pedaço de papel na mesa fétida. No papel, escrito em rubro batom, uma lembrança do imemorável prazer de um dia ter sido. Nas outras mesas, gargalhadas de entranhamento e um estranhamento qualquer.

Sarjeta mais uma vez, com as faces rubras de desejo e vergonha de não ser o vermelho e sim o azul. O azul de um mar perdido na fase mais sombria de Picasso. Talvez por isso não lembrasse onde estaríam seus olhos.

Ela via com a boca e beijava com o olhar. Mas ninguém a olhava nos olhos.

Enlouqueceu.

Na demência que entorpecia o corpo, se fez mulher. Buscou a felicidade em outros olhos, outras bocas, outros corpos, em outros... Gritou, chorou, amou, riu. Simplesmente riu.

Enfim tornou-se vermelha. Vermelha como uma simples letra escarlate.

Então, ela queimou.

W.A.M.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vivendo pleonasticamente

E se pudesse descrever, a palavra seria tortura. Não uma tortura qualquer, mas aquela que envolve em algemas e chicotes de couro, te aprisionando entre a dor e o prazer.

Esse torpor é a maior ambiguidade pela qual pode-se passar. O ápice do equilibrista que vai até o fim da corda bamba. O sofrimento da bailarina que contunde o joelho e torna-se fadada ao esquecimento.
Nada dói mais que ser deixado de lado quando anseia-se por um olhar num banco frio de praça.

A dor carnal é suportável, ela passa e não deixa vestígios, no máximo cicatrizes. A outra dor, dói! E doendo persegue, maltrata, corrói...

Que doce o pleonasmo de viver. É a dor maior, que mais enche de vida e ensina a amadurecer.

W.A.M.

domingo, 23 de agosto de 2009

The most important felling

Amizade não é um estar entre muitos, mas um estar com uma pessoa e sentir-se cercado.
Não é um eu te amo ao fim de uma ligação, mas um olhar nos olhos.
Não é um estou do seu lado, mas um estou longe e mora dentro de mim.
Amizade é uma carona de madrugada, uma conversa até altas horas, fazer rir.
Amizade é implicar, é encher o saco do outro só porque a intimidade deixa.
É saber que aquela implicância só é possível pela exagerada necessidade de demonstrar amor.
Amizade não é um falar sem parar das coisas da vida, é um estar em silêncio de não sentir-se constrangido. É deixar as entrelinhas preencherem o vazio deixado pelo dizer desnescessário.
Mas amizade também é falar as coisas da vida e sentir-se à vontade em contá-las pela certeza de, simplesmente, ser ouvido.
Amizade é um "te amo mais do que você me ama" e não se importar.
É um carinho no rosto e também um tapa na nuca, por que não?
É pôr o pé, só de pirraça, pro outro cair e ajudar a levantar.
É cair e saber que ao levantar vai receber um abraço.
é namorar e não chamar de namorado (a).
Amizade é receber um ligação quando está doente.
É ficar parecido com a convivência, ou descobrir as semelhanças.
Ou, simplesmnente, descobrir que não há nada em comum além do respeito mútuo.
Amizade é guardar segredo mesmo que o outro não o tenha pedido.
É sentir um carinho sem explicação.
É contar seus segredos mais profundos.
É não contar segredos, mas conhecer as pessoas certas para sabê-los.
Amizade é um simples beijo na testa.
Um segurar de mãos na dor.
É conhecer um pessoa há meses e parecer décadas.
É saber que por mais que sinta-se só, não está.
Que daqui a alguns anos, mesmo que a convivência não seja a mesma, a amizade o será.

W.A.M.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael não morreu!




Existe uma nova divisão na história e hoje os calendários dividem-se. Há o Antes de Michael e o Depois de Michael. Aquele que em vida foi considerado menos influente e conhecido apenas que o rei dos Hebreus.


Surpresa e incredulidade tomam conta da população mundial. Hoje, todos nós, amantes da música, sentimos como se nosso pai tivesse morrido. Aliás, "como se" não... ele morreu. E como acreditar se ainda ontem ouvia o cd Off the Wall e dizia que mostraria suas músicas a meus filhos e diria: "Tá vendo aquele senhor na cadeira de rodas na tv? É o rei do pop. Mamãe o viu na ativa ainda". Hoje sei que direi o mesmo, mas apontando para um pôster inanimado que nem sequer poderá passar o mesmo brilho que ele teve.

Me sinto, como muitos, começando a perder o chão. O que faremos quando os grandes revolucionários da música todos se forem? O rock morreu com Elvis e Lennon (aliás, só nos resta 2 Beatles). O blues morreu com Miles Davis. O funk (falo do bom funk, não do carioca) foi embora com James Brown e Tim Maia. Os hinos dos apaixonados se foram com Frank Sinatra. O samba se foi com Cartola e Noel Rosa.A MPB foi enterrada junto com Tom Jobim.

Perdas irreparáveis. Danos incomensuráveis. E agora? "Quem será o novo Michael Jackson?"
Eu digo: Ninguém! Ninguém substitui gênios. E ele era um gênio. Gênio da música, das performances, dos palcos. Quem dançava como Michael Jackson? Quem ia para a frente, em pé e sem cair? Quem fez o Moonwalk com tamanha leveza? Quem podia vestir um "maiô" dourado por cima da roupa e ser aclamado por milhões?

Os feitos dele foram revolucionários e mundo confirmou isso o coroando o Rei e colocando seu disco na colocação do mais vendido do mundo. 180 milhões de cópias vendidas. Isso é quase a população de um país de dimensões imensas como o Brasil. Antes de Thriller os clips eram sem vida. Ele deu vida aos clips e deu uma nova batida, um novo ritmo ao popular.

Não tratemos esse 25 de março de 2009 como o dia no qual morreu o cara bizarro, excêntrico, acusado de pedofilia, que tinha um vitiligo suspeito. Lembremos como o dia no qual o inventor do clip e de tudo que sabemos sobre o verdadeiro Pop, se foi. O homem que flutuava para trás nos palcos, está fazendo isso em uma nuvem por aí. Mas ele só se foi do meio de nós mortais.

Grandes homens não morrem, eles vivem enquanto lembrarmos de seus grandes feitos.
O Michael? Foi só bater um papinho com Elvis e volta já.

Só espero que, tão cedo, não nos sejam arrancadas todas nossas majestades.

W.A.M., em texto escrito D.M.

sábado, 9 de maio de 2009

Mãe: Anjinha ou diabinha?

Ontem li um texto no blog do Oscar Filho [ http://blogoscarfilho.zip.net/ ], no qual ele conta histórias com a sua mãe. Na hora me vieram algumas lembranças à cabeça e tive de compartilhar isso por aqui.

Eu não tenho muuuuitas histórias memoráveis com minha mãe, mas algumas me marcaram.
Como quando meu pai tinha uma Kombi [quem não conhecer esse artefato arcaico, favor procurar no Google] que carregava a família toda. Um dia, no meu aniversário de 6 anos [creio eu], fomos ao Zoo com a família materna toda e, no caminho, vi um lugar com uma placa enorme ecrita: "motel alguma-coisa-que-nã-recordo". Perguntei a ela o que era motel. Ela disse que era o mesmo que hotel. E eu, já pentelha e chata, disse que não era não. Depois de muita discussão eu disse que ia chamar de motel, porque era mais bonito e ela dizendo que ia me dar uma surra toda vez que o fizesse. =s

Por falar em pentelha, minha mãe foi uma das minhas primeiras professoras, ela que me alfabetizou e desde essa época, eu já me fazia de santinha no colégio por causa da mãe professora e da tia secretária. Fazia as coisas sempre na cara-de-pau sem ela ver. Mas um dia deu errado. Eu disse uns palavrões pra um colega, o pentelho do Jardel, e ele disse pra mamãe que saiu correndo com o tamnaco atrás de mim, enquanto eu pulava as cadeiras e todos riam. Isso é coisa que mãe faça? Podia ter me traumatizado...

Mas por falar em traumas e informações erradas relacionados à mamãe, lembro de quando a perguntei o que era menstruação e ela disse: "no tempo certo, você vai saber". Odiava aquilo! O negócio é que chegou o dia, passei o dia morrendo de dor, levei um dos maiores sustos da minha vida e só depois ela me explicou e ainda sem dizer o nome maldito. Se toda menina dependesse de uma mãe como a minha pra entender das coisas, o mundo estava super-populoso...

O pior eram as gambiarras que ela fazia no meu cabelo. Primeiro que ela não o cortava, o cabelo chegou à bunda e eu lá... Ela pegava ele, entupia [literalmente] de creme e fazia mil tranças e laços e nós e, no outro dia, como nem dava pra pentear mesmo, era mais e mais creme... Depois perguntam porque fiquei careca.

Comigo já maior, minha mãe pregou mais uma peça em mim [não que a intenção fosse pregar peça] e mandou a amiga de infância dela, dona de um salão de cabeleireiros, me depilar. Lá vou eu fazer apenas a sobrancelha e DO NADA a mulher abaixa minhas calças sem nem pedir e avisa que minha mãe mandou fazer o contorno. Ela abaixou as calças sem permissão e me fez morrer de dor e sangrar pra caramba. Agora me digam se isso não foi um mandato de estupro feito pela minha própria mãe?

Eu poderia contar muitas outras histórias aqui, mas não lembro bem. Quando for lembrando, volto pra aumentar o post. Mas, não se enganem com a minha mãe... Ela é boa sim... É a melhor mãe que eu tenho! ;D

W.A.M.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Bilhete suicida

Um site { http://www.avesso.net/suicid6.htm } publicou alguns bilhetes suicidas e dentre todos, um chamou-me atenção. Não pelo pesar das palavras, mas pela veracidade incrustada nelas e, principalmente, porque pensei que poderia ser esse o meu bilhete suicida:

Sexo, Idade : F, 27
Cor : (descendente de orientais)
Meio : projétil de arma de fogo
Forma de mensagem : carta manuscrita a tinta azul

"A quem possa interessar:
Grande parte do que possuía foi vendida ou doada. O que resta, é minha vontade que seja entregue ao meu amigo João; o qual poderá dar a meus pertences o destino que lhe aprouver.
Nada deverá ser entregue a qualquer parente meu.
Quanto aos meus restos mortais, suplico encarecidamente; não o torturem com choros, rezas ou velas. É apenas a minha matéria e imploro que a deixem degradando-se em paz. A putrefação não é degradante. Se a humanidade permitisse que a natureza tomasse o seu curso, seria o renascimento da matéria.
Eu renasceria no vento que passa a murmurar, nas folhas que farfalham, no solo que abriga e alimenta milhares de seres vivos, na água que corre para o mar nas chuvas que regam os campos, no orvalho que cintila ao luar, nas grandes árvores que abrigam ninhos de passarinhos e que vergam a passagem dos ventos fortes, nos pequenos arbustos que escondem a caça do caçador...
Céus! Eu me vingaria se apenas uma de minhas partículas participasse do desabrochar de uma flor ou do canto de um pássaro. Romântico? Não! Foi o mundo, minha família, meu educador mas principalmente... foi o seio que aconchegou a criança que vinha lhe contar as suas tristezas, máguas, alegrias, pensamentos, e seus desejos íntimos... suas esperanças. A criança crescida quer voltar para lhe contar seus sofrimentos, desilusões, a morte de suas esperanças... para encontrar novamente o aconchego onde poderá descansar sua cabeça cansada e abatida e onde poderá, enfim, chorar as suas lágrimas que não encontram onde chorar.
Volto derrotada porque não fui capaz de viver, trabalhar e estudar não foram suficientes para mim. E foi tudo o que me restou. Prefiro morrer do que viver com a morte dentro de mim.
Perdoem-me ..., ..., ..., "

" Volto derrotada porque não fui capaz de viver, trabalhar e estudar não foram suficientes para mim. E foi tudo o que me restou. Prefiro morrer do que viver com a morte dentro de mim."

Sim, eu já havia pensado nisso. Eu trabalho, estudo, mas sou um protótipo de zumbi, mesmo que, acalme-se, eu não queira morrer fisicamente. O que nos faz morrer não é uma bala ou uma corda no pescoço, essa é a morte da carne que nada passa de um receptáculo para o que somos. O que nos faz morrer é não ter na vida a intensidade desejada, não ser em vida a tal flor que desabrocha em solo infértil.

Sendo assim, completo as palavras da minha companheira e formulo o meu próprio bilhete suicida:

(...)
Essa morte é mais dolorosa e cruel do que a carnal. Ela libertará o que em mim nunca foi livre.
Na ânsia por viver, e não mais por apenas sobreviver, eu me despeço dessa vida de auto-indulgências e incompletudes para ser intensa ao menos em uma coisa: na morte.

Wânyffer Araújo Monteiro

sábado, 25 de abril de 2009

Doutor, eu não me engano...


É incrível a paixão do brasileiro por futebol. A vibração nos estádios é mais calorosa e excitante que a de qualquer outro país. Entretanto há uma paradigma que diz que os maiores times são os mais vitoriosos, afinal de que vale competir sem ganhar, não é?

Eu sinto discordar com isso. O que faz um time grande senão a força de cair e ser maior do que a própria queda, ter forças para erguer-se e transpor os limites da realidade? O que faz um torcedor mais fiel que aquele que vê o time caindo e levanta-se com ele com um vigor que pensou-se perdido e o impulsiona às vitórias posteriores?

Vencer não basta! Futebol é como a vida, na qual devemos conhecer o gosto da derrota, senão não poderemos dizer que vivemos. A raça e o vigor de uma torcida que permanece unida e numerosa mesmo depois de tantas derrotas é o que faz um time grande.

Claro que eu falo do Corinthians. Ou melhor, dos corinthianos, pois nós que temos um time. Nós o carregamos como um troféu e o erguemos bem acima de nossas cabeças para mostrá-lo a todos com o peito inchado de orgulho. Não um troféu de numerosas vitórias, mas um souvenir de obstáculos derrubados, de uma torcida sem a qual o time continuaria sendo grande, mas nunca seria "O todo poderoso Corinthians".

Se o time é o São Jorge, o santo guerreiro que a cada ano tem de derrotar vários dragões, a torcida é seu cavalo, sua base sólida que nunca se desfaz, só tem os músculos fortalecidos pelas experiências de batalhas.

Não só o Corinthians foi rebaixado, outros grandes também se ergueram, inclusive o arqui-rival Palmeiras e eu parabenizo com louvor. Mas como explicar uma torcida sofrida que levanta o time sempre com um número maior e maior de integrantes?

Há muito tempo atrás eu vi no jornal a história de um são paulino que sofreu um transplante de coração e, sem explicações, simplesmente começou a torcer pelo Corinthians. O jornal [creio que foi o próprio Globo Esporte, se alguém lembrar, me diga, por favor] foi atrás e descobriu que o doador era corinthiano. Você tem alguma explicação plausível para me dar?

Hoje mesmo, na record, vi a história de um corinthiano que sofreu um enfarto durante uma partida de futebol e o seu novo coração não era de um corinthiano, mas ele continuou a ser. Explicação?

Como explicar a paixão que ferve no peito sem uma causa aparente? Libertadores? Não, não temos. Mas nós desenvolvemos o nosso próprio poder de nos libertar. Libertar da ditadura dos títulos a todo custo e ficamos livres para amar.

Nós somos um só. Uma legião de loucos e delinquentes cujo único crime é amar demais e se render a esse amor. Carregamos o manto no corpo nas vitórias e derrotas [me chamaram de louca por sair com o manto um dia após o revaixamento], pois na primeira ou na terceira divisão um time que é garnde, permanece grande.

W.A.M.

P.S.: Sim, o post de hoje foi uma declaração escancarada de amor. A úníca que eu já diz em toda a minha vida.

Os pequenos pôneis



Show do Oscar Filho foi do Ca&%$*#, ontem! Eu sou uma fã assídua de stand-up comedy e Oscar, Danilo Gentili, Rafinha Bastos, Marco Luque, Marco Gonçalves são meus top. Fiquei muito contente ontem, afinal eu era louca pra ver o pequeno pônei ao vivo. Ri muito [apesar de prestado mais atenção nas eprnas dele 8-)], mas algumas coisas não me escaparam, principalmente as coisas tecnológicas.

Adoro essa coisa de tecnologia. Não, porque a gente vai assistir a um show e sempre tem alguém que paga às vezes 50 reais [40, noc aso do Oscar] pela budega e em vez de ver, filma. Não contente assiste o show pela tela da câmera. Não é mais fácil esperar pelo youtube, pô?

Fora que eu tava na fila pra pegar autógrafo dele e tinha uma sequelada na minha frente que disse “a bateria ta acabando!”. Eu me compadeci da dor dela, né? Afinal, como ela ia tirar foto com o Oscar? Mas ela não tava preocupada com isso, ela disse: “como eu vou ver a foto?” Mas que diabos! A câmera não tem cabo? Ela não tinha computador? Eu empresto o meu pra ela, pô.

Bom, tecnologia a parte, a presentação valeu a pena as horas em pé esperando. O cara é sensacional. Perdoem-me humoristas cearenses, mas quando eu quiser rir, ou eu vou para SP ou os de SP vêm até mim.

P.S.: O Oscar só tava vatendo foto com 2 pessoas de cada vez e a anta da Wan aqui diz: "Bate uam pra mim?!" LOGO EU! Oscar: "Eu bato uma pra você" [cri cri]. Bom, ele não em jogou na coxia e chamou de camarim, mas essa conversa filosófica valeu já. ahsoaiuhsou bjsmeliga



W.A.M.

sábado, 11 de abril de 2009

No fio da navalha

Tão frágil quanto o mais puro cristal. Uma taça cheia que não seca aos poucos, e sim, quebra. Nunca mais poderá voltar a sua forma original e o líquido nunca será reutilizado. Assim é a fina confiança que depositamos em delicados recipientes sem lembrarmos que eles estão prontos para quebrar a qualquer momento.

Aqueles que confiam são corajosos e audazes de se arriscarem no fio da navalha da lealdade e os que recebem tal sentimento e o mantêm são dignos de admiração.

Mentiras são contadas todos os dias por você e por mim, mas mentir para quem confia em você é como assumir o papel da taça e jogar tudo fora. O problema é que isso é um suicídio: a taça sempre quebra. Lealdade é mais que uma qualidade, é uma obrigação de sobrevivência. Afinal, o que é a vida senão um jogo no qual devemos aprender a conviver para sobreviver?

Dar confiança é começar uma caminhada em equipe, lado a lado, correndo o risco de sofrer uma rasteira. Confiar é por você mesmo em um dos lados de uma balança torcendo para que ela continue equilibrada. Muitas vezes, a dama que segura a balança está vendada e somos deixados ao outro.

Quando a confiança se vai, o pacto é quebrado, o líquido é derramado... não há mais volta, não há mais um único caminho. Resta seguir o outro ramo da bifurcação e torcer que ele dê em algum lugar.

W.A.M.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Dor que desatina pelo prazer de doer

De acordo com a psicóloga Ayala Pines, ciúme é "a reação complexa a uma ameaça perceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade." E esse medo de perder a pessoa amada [seja namorado (a) ou amigo (a)] pode tormar-se obsessão. Ciúme é o mal de quem ama demais e não confia em quem ama ou não confia em si mesmo.

Eu mesma sofro de ciúme, confesso. Não com todo mundo, com pouquíssimas pessoas e específicas, portanto posso testemunhar: é ruim! Muito ruim! É totalmente diferente sentir ciúme, da sensação de que tem alguém sentindo ciúme de você. Saber que alguém ficou enciumado é quase uma prova de amor, mas quando você é essa pessoa e é você que sofre (porque sim, é um sofrimento) não há nada de bonito.

Em um relacionamento, seja ele qual for, é necessário um pouco disso de vez em quando, ele mostra que o outro é importante (mesmo que aja outars formas de demonstrar isso). Às vezes você nem nota que gosta tanto de alguém até que sente essa maldita queimação. Sim, uma queimação! Queima o estômago e até os neurônios. Tudo ferve e há um descontrole. Em muitas pessoas, interno, como em mim, em outras é externo. Este sim é um problema, principalmente pro pivô do ciúme.

Alguns simplesmente não gostam desse sentimento. Eu também não. Não quando ele sai do controle (comigo ou com os outros). Não gostaria de ver alguém me impedindo de estar com outro alguém por ciúme (espero que nunca aconteça) e, mais ainda, não gosto de senti-lo e ter em mim a vontade de pedir ao meu objeto de ciúme que se afaste de alguém, até porque eu nunca faria isso e o sofrimento interno simplesmente continua queimando e queimando.

Engraçado. Tive apenas um "namorado" e não sentia isso por ele, só cuidava, mas o dava plena liberdade. Na outra mão era vítima de sua possesividade doentia. Já com alguns amigos... me pergunto se não confio neles ou em mim. Levando em conta a tamanha auto-confiança que carrego, creio que pode ser um momento de fraqueza, achar que posso perder as pessoas amadas pra outras.

Maldito sentimento!
Parodiando Camões, ele sim:

Ciúme é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina pelo prazer de doer.

É um bem querer mais que só querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.


Eu tenho umas 4 pessoas de quem sinto ciúme. Elas quatro fazem-me sofrer sem querer. Será que é por isso que as amo tanto? A dor, essa sim é ums entimento necessário.

W.A.M.

P.S.: Texto besta e mal escrito só pra voltar aqui. Não tava postando por falta de tempo. =~~

sábado, 28 de março de 2009

Alguns chicletes não perdem o gosto

As fotos empoeiradas aglomeram-se dentro do velho baú, as únicas que restaram da última enchente. Elas retratam momentos de glória do velho homem. O ídolo que insiste em se esconder no anonimato da poltrona de veludo marrom.

Os fios grisalhos de liso cabelo são, cada um, marcas contundentes de suas vitórias, dos instantes nos quais esteve cara-a-cara com gol. Hoje, só restam momentos petrificados em frio papel fotográfico e em manchetes de jornal. Ele guarda essas fotografias como relíquias de uma vida da qual ele fugiu por medo de ser ele mesmo, temendo que o enxergassem na reclusão de seu ensurdecedor medo da antiga paixão.

A quase total falta de audição ocasionada pelo beijo violento de sua redonda e mais amada amiga, o fez outra pessoa: resignado e amedrontado. Mais uma vida mudada por uma doce vingança. Depois de tanto chutar, ela o chutou e isso ele não pôde suportar. Não é assim mesmo que sempre acaba?

O único contato com o mundo exterior faz-se pelo jornaleiro e dentre os jornais e revistas assinados, uma chama-lhe atenção pela manchete: "O 10 maiores artilheiros do Brasil"! Ele busca pela matéria, mais por curiosidade que por qualquer outro sentimento e de sopetão tem um choque. Lá está ele, entre os 10, entre os maiores craques da história.

Um filme começa a transpassar-lhe a mente e aparece lá, em frente a seus olhos. As vitórias. Os gols. Os títulos. A glória. Ah! A glória! Ele havia esquecido o quão doce era aquele sentimento. Aquela palavra que tão bem deleitava-se em seus pés e o impulsionavam a driblar como poucos fizeram.

Sentado na velha poltrona de tecido marrom ele consegue escutar. Escuta a narração daquele gol no parque antártica e a vibração da torcida em um dos momentos mais sublimes de sua vida. A glória.

W.A.M.

P.S.: Humilde homenagem a Everaldo Moraes, o fenomenal "Chiclets". Um dos maiores ídolos da história do Palmeiras e do Ceará e que me recebeu docemente em sua primeira entrevista em anos de aposentadoria. Obrigada pela chance de compartilhar comigo alguns de seus infindáveis momentos. Posso dizer que ele é ainda muito maior que seu próprio talento [e eu não achei sequer UMA foto dele na internet...].

terça-feira, 24 de março de 2009

All you need is faith and trust and plus a little pixie dust

Venho procurando incessantemente assuntos para escrever aqui. Mais do que simplesmente procurar, procuro dentro de mim. Naquilo que me fortalece e no que enfraquece e, hoje, nessa procura infinita pelo que dissertar, encontrei a resposta no que me engrandece.

Foi fácil encontrar o assunto de hoje. Simplesmente olhei ao redor. Mais que olhei, eu vi! Vi amor, carinho, doação, sorrisos, até gargalhadas. Olhei no fundo dos meus amigos e vi dedicação, receio, espontaneidade, fofura, paz, alegria e respeito.

Mais do que isso! Me vi entre pessoas mágicas e voltei a acreditar em fadas! Acabei por recussitar aquela que matei quando neguei que não existia. Eu sempre tive um sério complexo de Peter Pan, mas às vezes a rotina faz esquecer quem você é e é preciso pessoas que lhe façam lembrar. Pessoas que joguem um pózinho mágico no seu dia.

Meus melhores sorrisos têm dois doninhos de uns tempos pra cá. Minha fada e meu Peter Pan que me fazem voltar a ser Alice na eterna busca pelas minhas maravilhas. Mas hoje lembrei que o meu sorriso já teve outras razões de ser e ele voltou a ser ao lado do meu "Pequeno" príncipe.

Ser feliz não deve ter receita ou complicação. Ontem alguém me ensinou que para fazer amigos é preciso "permitir-se". Permitir que o outro aproxime-se e assim, permitir o seu próprio crescimento. Outra pessoa me ensinou que sou eternamente responsável pelo que cativo, agora eu deixo-me cativar também.

Hoje meu coração bate muito mais veloz e intenso que ano passado e muitíssimo mais que ano trasado. Eu era fria, aí passei a medir minha vida em amor e agora eu sou muito mais intensa que antes, porque a vida se esvai rápido, mas o que importa é a intensidade com a qual você gastou cada segundo e com quem você gastou. Nesse momento eu tenho a certeza de que meus dias nunca foram tão bem gastos e que eu posso ter a certeza de ir a um lugar [principalmente segundas e quartas ;D] no qual posso ser eu mesma e onde eu posso conhecer as pessoas e gostar delas, porque elas mostram o que elas são.

Hoje, quinhentos e vinte cinco mil e seiscentos minutos não são o bastante para mim.

W.A.M.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Selo feliz

A Poly { http://polydiantedoceu.blogspot.com/ } me deu o selo de blog que a faz sorrir e eu fiquei meeeeeega-feliz XD




Eu tenho que dizer 7 coisas que fazem-me sorrir. Vejamos:

Amigos;
Galera do coral;
Chocolate;
Viver;
Sorrisos dos meus amigos;
A Poly e o Clark [Meus melhores sorrisos têm sido deles];
Atuar, escrever, cantar, lutar e fazer matérias.


Blogs que indico para receber o selo:

GongandoBBB da Nata e do Dih { http://gongandobbb.wordpress.com/ };
DaniloAlfa do Dandan { http://daniloalfa.blogspot.com/ };
Banco de memórias sentimentais da Ka { http://karlabrito.blogspot.com/ };
DosRock da Nata { http://dosrock.wordpress.com/ };
O blog da Marina { http://marinaniram.blogspot.com/ };
Soursweetcoffee da minha Lua { http://soursweetcoffee.blogspot.com/ };
E, claro, Onde nem o céu seja o limite, da Popoly { http://polydiantedoceu.blogspot.com/ }.

Chega, né? ;]

W.A.M.

domingo, 22 de março de 2009

Amor é prosa. Amizade é poesia.



Grandes poetas dizem frases geniais, mas que de tão repetidas viram clichês. Entre elas há uma que considero a maior verdade de qualquer clichê já dito: "Amizade é um amor que nunca morre".

É por isso que considero Quintana um gênio. Só alguém visionário, sensível e inteligente o bastante para notar isso. Tantas pessoas passam a vida procurando o amor perfeito, o par romântico, o amor eterno, mas... eterno? Amor eterno é a amizade. O verdadeiro ato de doar-se a alguém. De despir-se de orgulho e preconceitos e estar ao lado sempre. De brincar e de chorar juntos. Será que há isso em todo relacionamento puramente carnal? Acho que não, hein.

Isso é algo que faz-me pensar: "é certo ir atrás de par romântico em desconhecidos?" Afinal, a base de qualquer relacionamento não é a amizade? Sem amizade como haver respeito, cumplicidade, fidelidade e digo mais que isso: Há amor sem amizade?

Creio que não. Para essa miserável que vos escreve, amizade É amor. O amor que nunca morre, que não se faz de rogado, não esmorece frente a dificuldades e não exige mudanças do outro. Não trai, não mente, quando briga, o amor aumenta, quando acaricia, ele esquenta.
Amizade/amor verdadeira(o) é o pedaço bom de cada um de nós. Aquilo que ainda não apodreceu com o tempo, não criou rugas, não virou pó. O intocado intocável que está na essência de qualquer um capaz de amar pelo menos uma vez, pelo menos uma pessoa.

E enquanto escrevia esse texto, por pura coincidência abri uma poesia de outro mestre. Bom, ela basta para encerrar esse devaneio e torná-lo verídico:

Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

William Shakespeare


W.A.M.


P.S.: Por falar em amizade, parabéns Danilo e Clark pela peça ontem. ;***********

quinta-feira, 19 de março de 2009

Monólogo de teor eticamente alto para meus neurônios

Você é a favor ou contra o aborto? Perguntinha difícil, hein?
Pois ela foi-me feita ontem e resolvi avaliar o caso.

O aborto é uma forma de interromper a geração de um ser vivo antes que ele desenvolva-se. Esse assunto tem acalentado muitas discussões dos pontos de vista ético, legal, moral e religioso. Para exemplificar melhor a complexidade disso, lembremos da menina de 9 anos, estuprada pelo padastro que engravidou de gêmeos e corria riso de vida. A moral considera absurdo uma gravidez na infância sendo que, se ela engravidou, é fato que já é uma mulher capaz de gerar vidas. A ética varia entre os infivíduos: 'é certo deixar uma criança ter filhos?', 'é certo abortar?' A lei só considera o aborto legal perante casos de extrema periculosidade, avaliando a concepção do bebê. A igreja... bem, a igreja considera fetos, mesmo antes dos 3 meses, vidas e julga e condena queles que cometem o aborto e seus "cúmplices".

Engraçado pensar nisso. Se olharmos para trás vamos ver que foi a ciência quem afirmou que fetos recém-formados são vivos, enquanto a igreja negava. Hoje, é essa quem abraça a idéia. A mesma igreja que condenou o uso de céculas-tronco para salvar vidas. Bem, presumo que vossa santidade o Papa Bento XVI não tome banho, ou no mínimo, seja ignorante. Afinal, ao tomar banho perdemos dezenas de células das quais poderiam serem gerados seres-humanos. Isso faria dele um assassino? É, a lei dos céus [leia-se: do vaticano] não deve ser aplicada ao nosso santo nazista.

A discussão ética é maior e mais ampla que isso. Será livre a pessoa que não tem o direito de abortar por gravidez indesejada? E a liberdade do feto de existir, onde está? É liberdade pessoas terem de usar métodos anticoncepcionais? Mas e render-se ao desejo que lhe consome, é liberdade também? E nós, temos o direito de dizer quando a vida começa e quando termina?

Há um tempo atrás a respiração era considerada o sopro de vida e quando ela se esvaía, a vida acompanhava. A pessoa estava morta. Depois com descobertas científicas em torno da saúde, a respiração passou a ser artificial e a morte dava-se quando o coração parava de funcionar. Até bonito de dizer, não é? Hoje, nós só morremos ao ter morte cerebral. Podemos vegetar, perder a comunicação, mas o cérebro estar vivo e nós não [mas eutanásia é assunto pra outro dia].

Boa resolução na qual a ciência conseguiu levar-nos, mas também não é comprovado científicamente que até um certo estágio o feto ainda não tem funções cerebrais? Então porque o aborto é crime nessa fase se ainda não há vida? Ou isso só vale para a morte?

Ainda bem que ainda não inventaram uma tecnologia para o computador emitir odores. Meu cérebro está queimando ao refletir sobre isso. Estaria eu morrendo? Por que não? Morrendo aos poucos. Só vive de verdade quem aprende a morrer [mas essa é uma didcussão mais filosófica da minha mente insana do que científica, então deixemos para outro post].

Somando minhas reflexões mais a percepção da fumaça que sai da minha cabeça, cheguei a um denominador comum.
Resultado da avaliação: Sem resultado.
Há certas discussões que não têm fim, principalmente quando é um monólogo que você está travando. Bom, eu me meu alterego não chegamos a nenhuma conclusão. Você sabe me dar respostas?

segunda-feira, 16 de março de 2009

Hoje não sou olhos. Sou boca.


A arte do nada dizer não é entendida, apreciada, compartilhada. Os olhos perderam sentido, além do enfeitar as órbitas do rosto.
"Você já deitou seus olhos sobre os olhos de alguém?"
Eu procuro deitá-los e deleitá-los, mas as camas escolhidas ainda são despreparadas para entender a complexidade do outro. Os olhos informam sobre a alma e por mais que a curiosidade queira ler outrem, ninguém lê por medo de ser lido em retorno. A covardia e a falsidade são o mal do século.
Quando a beleza do encontro entre os olhares se vai, fica a verborreia do não dito, ou, simplesmente, o corporalmente dito. Dessa verbosidade inútil brotam utilidades sem uso.
Eu sou uma cachoeira de palavras. Das ditas. Das não ditas. Verbalizadas ou não, elas emanam. Consomem-me. Dilaceram-me. Não. Dilaceram o outro na mira dos meus olhos.
Fácil ignorar o dito pelo que não diz, mas quando faladas, as palavras escorregam pela língua e, molhadas, são jogadas pelos lábios nervosos para libertar as pequenas prisioneiras. As palavras tomam forma e fica mais fácil interpretá-las. Algumas pessoas são burras o bastante para entender as entrelinhas.
Hoje, sinto-me mais leve, mesmo que mais pesada. As minhas palavras também podem voltar-se contra mim e eu devo colher as consequências do dito. Hoje, sou leve mesmo que triste. E essa tristeza é a certeza de que tenho em mim todos os sentimentos do mundo e mais um. Basta me ler.

W.A.M.

P.S.: Suyanne, obrigada por todos os seus comentários sempre, de verdade, mas não consegui abrir seu blog.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Confiança em desconstrução

Senta, olha para a parede cor de gelo e espera. Pacientemente espera o vindouro e desconhecido. Sensações perpassam sua cabeça, embolam no estômago e unem-se até formarem um grande nó obstruidor de raciocínios.
Ele espera e elas vem. Uma por uma, em fila indiana, deixando o traço característico pelo caminho macio e alvo. Os olhos ressaqueados começam a transbordar provocando tempestades.
Se rende à dor de ser negado por si mesmo e cai em prantos copiosos, em uma tentativa de expelir o nó que o impede de pensar e respirar. A angústia, a sensação de fragilidade. Ser frágil é um pecado para ele, tão acostumado a ser firme, ele é frágil ao negar suas fragilidades. Sua segurança, tão almejada e invejada por todos, enfraquece em frente ao agora conhecido, desconhecido.
Ele quer ser livre, por um momento ao menos, da sua força interior, da sua auto-confiança invejável e quer render-se à condição humana de sentir medo e rejeição.

A confiança em si é essencial, mas ele aprendeu a duvidar dos mais seguros, eles sofrem ao dobro nos momentos de fraqueza.

W.A.M.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Links de (in)utilidade pública

Como minha vidinha não resume-se apenas em escrever, eu resolvi fazer um post de utilidade pública com links úteis e inúteis, para quem gosta de informação e besteira [que link é de qual categoria, é com você]. Aí vão algumas dicas:

- Blog do Marcelo Tas

http://marcelotas.blog.uol.com.br/arch2009-03-01_2009-03-15.html#2009_03-06_19_54_50-5886357-0

Você acha que não conhece? Conhece sim! Quem teve a infância nos anos 90 provavelmente viu castelo ra-tim-bum e propavelmente conheceu Tas naquela época. Sempre que alguém dizia: Porque sim, Zequinha! Ele aparecia.


- Post Secret

http://postsecret.blogspot.com/

Se você tem algum segredo cabeludo escondido, pode postar nesse blog que ninguém, nem o dono, saberá quem é você. Se eu postei o meu? Segredo. =x


- Aprendiz de mazoquista




- Repórter gostosinho e a gorda safada



Não gostou do vídeo? Tanto faz. Mas se você quiser a gente faz bem direitinho!


- Portal das curiosidades

http://www.portaldascuriosidades.com/

Para quem é tão curioso quanto eu, aí tem coisas muito úteis como:
"No popular se diz:
Cor de burro quando foge
O correto é: Corro de burro quando foge!
Outro que no popular todo mundo erra: quem tem boca vai à Roma.
O correto é: Quem tem boca vaia Roma".


- Pérolas do orkut

http://www.perolasdoorkut.com.br/index.php?foto=c45db

Esse tem uma galera bizarra.


- My heritage

http://www.myheritage.com.br/reconhecimento-facial

Aqui você pode saber com qual famoso você é parecido.


- Newseum

http://www.newseum.com/

O meu preferido! Aqui você lê jornais do mundo todo!!!!!!!


Espero que isso tenha sido construtivo e destrutivo! XD Divirta-se!

W.A.M.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Ela

ele sentiu vergonha e chorou. Sentiu-se sujo e impuro em frente à grandeza dAquela Mulher. Mulher humilde, de voz mansa e fronte doce, escondendo um cerne lapidado pela vida que não mereceu. ele, altivo e viril, desabou de seu 1m 84cm. Estatelou-se no chão e sentiu a grandeza do metro e 50cm da Mulher.
O olhar dEla fuzila, petrifica qualquer um ao seu redor. "Por que não consigo olhar nos olhos dEla?" A verdade com a qual ele teve de conviver é que doçura amedronta mais que arrogância.
Ela anda por aí de olhos baixos e passos desengonçados. Ninguém aproxima-se dEla, nem ele o fazia. Ela não tem amigos, pais, filhos ou homem, só tem o seu credo. Ela crê no coração das pessoas e põe a alma em tudo que faz, mas seus sonhos ninguém conhece. Os sonhos, Ela fecha-os no caderno rabiscado, o qual ninguém nunca ousou abrir e continua vagando de um lado para o outro, sozinha, pois ninguém é limpo o bastante para conseguir aproximar-se.
ele ousou olhar nos olhos dEla e foi derrotado pela pureza há muito perdida entre seus semelahntes. Angustiado pelo redemoinho de sentimentos consequentes da integridade emanada daquela Mulher, ele surtou, surrupiou o caderno dEla para descobrir o que havia de errado, mas na busca pelo errôneo, ele se perdeu ao encontrar o certo.
Entre rabiscos e garranchos, desmontou em uma só frase, a frase mais bem desenhada do caderno:
"Meu único sonho é ter amigos".
Ela ecreveu a verdade na qual todos acreditam, mas preferem a doce mentira dos amigos por convenção. Ela só queria amizade, o maior amor de todos.
ele fechou o caderno, mas naquela página deixou um presente: uma lágrima de humildade. O primeiro passo de uma boa amizade. O maior passo para ele tornar-se Ele.

W.A.M.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Efêmeros pensamentos duradouros

O peso da sua cruz nunca é maior do que aquilo que você pode suportar. Clichê. Mas quem disse que clichês não têm sua sabedoria? Cada um suporta do jeito que consegue. Alguns demonstram fisicamente, outros sorriem para guardar para si e há os que sorriem simplesmente, porque não vivem para o sofrimento.

Eu olho em volta e observo, analiso, desmembro. Vejo que as melhores e mais equilibradas pessoas são as que mais sofrem e as mais fúteis e egoístas são as que nunca sentiram o gosto amargo das lágrimas da dor. E destas eu tenho pena. Pessoas que vivem em uma cúpula de vidro, superprotegidas pela bonança financeira e pela família perfeita. Mal sabem que o berço de vidro um dia quebra e, se sabem, não ligam. Enquanto isso há pessoas que conheceram a dureza da vida desde muito cedo e, antes do que deveriam, tiveram de aprender a sobreviver e proteger-se dos outros e de si.

Dançar tango na Argentina ou viajar pela Ásia pode acrescentar muito à nossa cultura, mas aprender a poupar esse dinheiro e se contentar com um samba na gafieira para ter dinheiro para a passagem de volta para casa, acrescenta maturidade. O dinheiro alcança muitas coisas, mas o que fazer com elas de forma responsável só é possível com a maturidade presenteada pela vida.

Talvez isso seja só um desabafo de uma invejosa que queria estar em Londres com a família perfeita.

W.A.M.

domingo, 1 de março de 2009

Imagem x Analogia

Em meus estudos sobre imagem foi interessante notar alguns aspectos do modo como concebemos a imagem, principalmente se a relacionar-mos com a analogia.
O costume de ver as imagens de forma analógica leva-nos a confundir imagem com realidade, como na fotografia. Todavia um quadro de Picasso, por exemplo, que é visto artísticamente, não concebido de forma real, por “distorcer” as imagens que pré-formulamos.

Segundo Ernst H.Gombrich, o anseio por imitar a natureza é oriundo da vontade de recriá-la e reproduzi-la. A vida nunca poderá tomar as formas da arte, mas a arte pode imitar a vida de forma moldada, o que foge da vela máxima: "a vida imita a arte".

Para aprofundar- mo- nos no assunto é preciso entender melhor essa analogia e também seu possível “sinônimo”, a mimese, tão popular entre os filósofos gregos. Mimese vem de Mímesis e significa imitação. Essa relação tem sentido se pensarmos que crer em uma imagem está diretamente relacionado com o fato dela ser fictícia. Segundo André Bazin o aparecimento da fotografia e sua perspectiva, fez com que a pintura se distanciasse da realidade e a foto tornou-se mais crível pela sua objetividade e por satisfazer a necessidade de ilusão nas mentes dos apreciadores. Entretanto, para Nelson Goodman essa idéia de “imitação” é irreal, afinal não é possível representar perfeitamente o mundo, porque não sabe-se como é esse mundo. Para ele, concomitantemente ao ato de representar, cria-se.

É possível supor, a partir de tais idéias que a analogia possui gênese empírica, foi modificada e criada ao longo dos tempos por diferentes situações e é usada para alcançar fins simbólicos. Assim a analogia mistura a imitação do real com a representação simbólica do mesmo.

Por muito tempo uma imagem somente era analógica se “correspondesse” à realidade e se não o fosse, não era real. Hoje sabe-se que há várias maneiras de ver uma mesma imagem e cada um a codifica de acordo com suas vivências e padrões sociais.

É de extrema importância traçar uma linha de diferença entre realismo e analogia. A imagem realista informa sobre a realidade e não tenta imitá-la, enquanto a analogia o faz e está ligada apenas às aparências. Contudo, esse realismo é relativo, enquanto a analogia pode remeter ao real informando, o realismo não é absoluto. As próprias vertentes do realismo não têm tantas semelhanças entre si. Elas dependem da sociedade e da ideologia de cada época.

O que realmente sabe-se é que a perspectiva, essa arte de transformar a tridimensionalidade em objetos planos informadores, foi a grande transformadora da concepção de reprodução de imagem. Ela alimentou nossa necessidade de ilusão do real e reinventou a arte. Viva a fotografia, tão revolucionária e tão objetiva.


W.A.M.


P.S.: Marina,eu não consigo reponder-lhe, pois seus comentários em seus blogs foram fechados. Me manda como fazer o facebook que faço ^^ ;*********