sábado, 11 de junho de 2011

Dose diária


Foi aberta a temporada... de compras. O amor está no ar e tem cheiro de novo, de tinta fresca, finos chocolates suiços e rosas escolhidas a dedo.

Em todo dia 12 de junho é só olhar pro lado para ver uma garota com os olhos brilhando de felicidade ao desmanchar o laço elaborado pela vendedora que atendeu seu namorado. A moça solteira atrás do balcão que, todo mês de junho, empacota amores materializados no melhor que o dinheiro apaixonado pode pagar.

O difícil é entender porque os níveis de ocitocina elevam-se acima do normal em apenas um entre 365 dias. O hormônio do amor é passível de sofrer mudanças diariamente, por quaisquer estímulos. Um simples abraço durante todos os dias ao alvorecer, pode virar a dose de paixão que falta entre o café e o pão com manteiga.

Só há um dia dos namorados, é quando tudo parece mais colorido, os odores excitam e os lábios ardem ao toque, mas a paixão, esse estágio primário do amor, e o próprio, pode ser estimulada a cada instante. Mas como estimulá-la se nem ao menos sabemos lidar com ela.

Esse sentimento de dimensões patológicas vem do latim e significa algo como "suportar um momento difícil". Uma doença que as mais sapientes mentes humanas ainda estão longe de encontrar a cura.

O cheirinho de novo continua no ar, mas as flores murcham, os chocolates acabam, as roupas gastam. O importante é não deixar a paixão murchar, não acabar com a felicidade e não gastar tanto dinheiro em um só dia quando se pode "gastar" tempo cultivando a única doença que provoca "ferida que dói e não se sente".

W.A.M.

sábado, 4 de junho de 2011

Retorno proibido




O sentir que inunda.
A alma, a calma, a cama,
entranha.
Uma vontade louca de sentir.
De outro jeito, assim como quem (desesperadamente)
não quer nada.
Acalma o peito.
Que nada. A chama arde na pele febril nesse ninho de quem não quer ser junto,
mas sozinho.
Crema no fogo do pecado mais puro,
na lataria da máquina mais insana.
A dor de senti-la sem porquê, com razão,
sem motivo, com paixão.
Amor por essa dor de doer devagarinho.
Consumindo quem é deixando de ser.
Não o sendo mais se sente acuado,
sem ninguém na linha ou ao lado.
Linha ocupada, sem registro de chamada enquanto entra na contramão.
Suicídio de quem entrou no túnel com o farol desligado,
a guarda baixa e o coração na mão.

W.A.M.