segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Quem sou eu, afinal?


Sento-me nesta cadeira a fim de coletar em uma folha de papel [deixe-me ser saudosista e antiga ao ponto de imaginar que estou com o papel e a caneta em mãos e não teclando em frente a um monitor] todas as impressões que ouvi falar que tiveram de mim. Como uma colecionadora de sentimentos alheios eu me ponho a escrever, tecendo um emaranhado de julgamentos errôneos ou corretos como se eles fossem a teia do meu viscoso ser.
Posso afirmar logo, como você já devia imaginar, se me conhece ou conhece os seres-humanos, que, de fato, fracassei. Busquei em pensamentos alheios e olhares de outrem alguém que não sou, pois não sou o que eles vêem.


Eu sou a minha primeira boneca de pano e cabelos loiros que me acompanhou na infância e guardo até hoje;

o chocolate que vicia;

as fofocas contadas no canto da sala;

meus impulsos e repulsos;

a macarronada da minha madrinha que não me sacia até a forma estar vazia;

o olhar angelical e carismático da minha mãe;

o olhar penetrante e furioso do meu pai;
uma iluminada em uma odisséia espacial;

Lugar Nenhum;

as memórias póstumas que me conquistaram na adolescência;

o professor de literatura que me ensinou sobre a vida;
a tia que envergonhava-me na frente dos amigos;
as ruas que andei;

os caminhos que escolhi;

as pedras nas quais topei;

a power ranger amarela;
aquela que batia nos meninos aos 5 anos;

os livros que li;
Jack perdida em um estranho mundo;

os sonhos que sonhei e tudo que realizei;

o carimba no pátio da escola;

a saia preferida que nunca vai sair do guarda-roupa;

o all-star sujo e furado;

minha caixa de cartas e papéis de bombom recebidos;
os flertes passageiros e os marcantes;

os apelidos de adolescência;
o primeiro beijo com os joelhos tremendo;

meus cachinhos;

Vincent;

as mortes da família;

a vontade de ser alguém;

afilhada de Corleone e seguidora de Durden;

o chiqueiro no qual peguei tantos bichos de pé;

meus cachorros que se foram e os que ficaram;

meus amigos;
as marcas de expressão e os traços de maturidade e imaturidade no meu rosto.


Precisamos dos outros para que sirvam de reflexo e nos digam quem somos, mas eu sou o que todos olham , mas não vêem ou o que nunca conheceram. Sou minhas memórias, tudo que fui e tudo que fiz. Meus atos e pensamentos. E você também o é. É só olhar pra trás.


W.A.M.


3 comentários:

Luciane Maria disse...

Adorei! Lembei-me da minha infância,
lembrei-me de mim. =~
;**********

Camiℓa Oℓiveira disse...

Muito bom, realmente gostei do texto.
Beijão!!!!

rêhhh disse...

adorei o texto, expressa realmente o seu eu. ;)

ahh obg pela dica no blog, vou ver se abro minha mente hehehe.
beijos ;*