quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Move on

Fortaleza, sexta-feira 13

Oi, tudo bem?

Nunca fui muito boa com as palavras, pelo menos não as que saem pela boca. Minha verborréia flui melhor com pena, tinteiro e uma folha de papel. Que antigo, né? Eu sei. Prometo que da próxima vez tento, ao menos, usar uma bic mordida, até porque é por isso que lhe escrevo.

Estou tentando mudar, jogar fora os velhos hábitos e tudo aquilo que me faz mal. É tempo de renovação. Bom, vou direto ao ponto. Você faz parte do meu antigo eu, de uma pessoa confusa e que sempre carregava uma cruz maior do que os seus pecados. Eu não quero mais isso pra mim.

Parece desonesto fazê-lo por carta, mas você mesmo nunca foi exemplo de honestidade. Chegava sorrateiro e atacava como um lobo, corroendo minhas entranhas e tirando o que há melhor em mim. CHEGA!

É tarde para olhar pra trás e não existe borracha que apague os erros passados. Com tanta tecnologia bem que poderia haver um programa que nem naquele filme lá do Jim Carrey e da garota de cabelo colorido, mas não se preocupe, também deixei de fantasiar com filmes. Pintar o cabelo de verde não ajudou, então melhor parar.

Aí eu imagino: de que adiantaria apagar o que passou? Quer dizer, seria justo apagar o que me faz tão mal se um dia me fez tão bem? O pior é que eu mesmo não sei quando começou a mudar. Ódio e amor são opostos e, exatamente por isso, completam-se. É como se não gostassem de olhar no espelho, pois quando olham vêem a parte de si que rejeitam. Só que nesse momento, eu tenho que arrancar essa outra parte de mim, mas sem esquecer você, pois é meu aprendizado e minha base para crescer.

Me diz uma coisa... Você me apagaria? Do que estou falando? Você já me apagou e me deixou cega a ponto de eu esquecer como se sorri. Não posso te apagar da memória, mas posso começar uma nova. Uma memória cheia de sorrisos, onde só permanece quem merece e essas pessoas eu sei pelo olhar, pelo riso compartilhado e pela falta do lembrar você.

É parte de mim, não posso mudar. Posso agora arquitetar uma melhor para ficar a sua frente e mostrá-la aos meus filhos.

Adeus, passado. Foi um prazer conhecê-lo e um desprazer vive-lo.

W.A.M.

2 comentários:

Tamy Shiside disse...

muit lind o texto ^^
adorei a frase "Adeus, passado. Foi um prazer conhecê-lo e um desprazer vive-lo."

Danilo Castro disse...

Wan, li seu texto, estou, ao contrário de sua verborrágica escrita, sem palavras. Passarei depois por aqui pra tecer um comentário mais denso. Um beijo!