domingo, 10 de outubro de 2010

Blue moon...




A noite cansada tinha uma face acalentadora, a outra face em contrapartida, torturante. Eu fazia parte dela em todas as suas formas. Primeiro veio a angustiante tortura, arrancando-me cada fio de dignidade no fim do esquecido amor-próprio. Se dói? Só quando tento respirar. Neste ponto, respirar era tentador. Tenta... dor... O ar viajava pelo meu corpo tentando extrair de mim os mais pulsantes gritos. Preferi não abrir a boca. Em silêncio a dor é mais eficaz.

Naquela torturante noite procurei abrigo e ela me acolheu. Acalentadora, confortante e dolorosa noite. Por quanto tempo suportaria? Enquanto houvesse pulso. O álcool tornou-se sem graça, uma solução fulgaz para problemas duradouros. Os amigos foram se distanciando... Cansados da frequência com a qual essas noites vinham. Sempre que o sol se punha...

Noite dolorosa e confortante. Somente a luz da velha lua parecia sorrir para mim. Ou de mim.

W.A.M.

3 comentários:

Angela Anais disse...

Adorei, linda poesia.

Doryan disse...

"Porque nunca soube respirar
sem sentir tantas farpas..." ♫♪♫

Camposanto 300Km por Hora - Dance Of Days

Asas que ultrapassam os domínios do Sol disse...

Noite acalantadora, mas torturante... Penso nas vezes em que são as noites que nos mostram tudo que durante o dia fomas fazendo e esquecendo de ver os efeitos. Mas ai a noite, ai, ai, ai! Essa mulher de punho forte, cabeça erguida, não deixou de ver. E quando ela chega tráz nossas angústias, tráz nossos medos, tráz nossa falta de atitude, quando não incomodamos com o que nos incomoda!
Mas há outras formas de encontrá-la. Uma delas é semeando com mais cuidado, esperando um pouco para ver o que brotou, assim não nos espantamos quando a noite chega.
Saiba que seus textos são maravilhosos, instigantes, questionantes, excitantes, me parecem chocolate, me transbordam de vontade de comentá-los.
Um abraço,