sábado, 5 de setembro de 2009

A fase escarlate de Picasso

Uma sem nome nas esquinas da vida. Uma pedinte de bares mesquinhos buscando uma alcova para o corpo, um Sinatra para o coração e algum Nietzsche para a mente.

Provocando em cada local o estranhamento como se não soubesse o que provocava um olhar faceiro de menina moleca tentando ser mulher.

Um vinho pra esquentar o coração e o pedaço de papel na mesa fétida. No papel, escrito em rubro batom, uma lembrança do imemorável prazer de um dia ter sido. Nas outras mesas, gargalhadas de entranhamento e um estranhamento qualquer.

Sarjeta mais uma vez, com as faces rubras de desejo e vergonha de não ser o vermelho e sim o azul. O azul de um mar perdido na fase mais sombria de Picasso. Talvez por isso não lembrasse onde estaríam seus olhos.

Ela via com a boca e beijava com o olhar. Mas ninguém a olhava nos olhos.

Enlouqueceu.

Na demência que entorpecia o corpo, se fez mulher. Buscou a felicidade em outros olhos, outras bocas, outros corpos, em outros... Gritou, chorou, amou, riu. Simplesmente riu.

Enfim tornou-se vermelha. Vermelha como uma simples letra escarlate.

Então, ela queimou.

W.A.M.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vivendo pleonasticamente

E se pudesse descrever, a palavra seria tortura. Não uma tortura qualquer, mas aquela que envolve em algemas e chicotes de couro, te aprisionando entre a dor e o prazer.

Esse torpor é a maior ambiguidade pela qual pode-se passar. O ápice do equilibrista que vai até o fim da corda bamba. O sofrimento da bailarina que contunde o joelho e torna-se fadada ao esquecimento.
Nada dói mais que ser deixado de lado quando anseia-se por um olhar num banco frio de praça.

A dor carnal é suportável, ela passa e não deixa vestígios, no máximo cicatrizes. A outra dor, dói! E doendo persegue, maltrata, corrói...

Que doce o pleonasmo de viver. É a dor maior, que mais enche de vida e ensina a amadurecer.

W.A.M.

domingo, 23 de agosto de 2009

The most important felling

Amizade não é um estar entre muitos, mas um estar com uma pessoa e sentir-se cercado.
Não é um eu te amo ao fim de uma ligação, mas um olhar nos olhos.
Não é um estou do seu lado, mas um estou longe e mora dentro de mim.
Amizade é uma carona de madrugada, uma conversa até altas horas, fazer rir.
Amizade é implicar, é encher o saco do outro só porque a intimidade deixa.
É saber que aquela implicância só é possível pela exagerada necessidade de demonstrar amor.
Amizade não é um falar sem parar das coisas da vida, é um estar em silêncio de não sentir-se constrangido. É deixar as entrelinhas preencherem o vazio deixado pelo dizer desnescessário.
Mas amizade também é falar as coisas da vida e sentir-se à vontade em contá-las pela certeza de, simplesmente, ser ouvido.
Amizade é um "te amo mais do que você me ama" e não se importar.
É um carinho no rosto e também um tapa na nuca, por que não?
É pôr o pé, só de pirraça, pro outro cair e ajudar a levantar.
É cair e saber que ao levantar vai receber um abraço.
é namorar e não chamar de namorado (a).
Amizade é receber um ligação quando está doente.
É ficar parecido com a convivência, ou descobrir as semelhanças.
Ou, simplesmnente, descobrir que não há nada em comum além do respeito mútuo.
Amizade é guardar segredo mesmo que o outro não o tenha pedido.
É sentir um carinho sem explicação.
É contar seus segredos mais profundos.
É não contar segredos, mas conhecer as pessoas certas para sabê-los.
Amizade é um simples beijo na testa.
Um segurar de mãos na dor.
É conhecer um pessoa há meses e parecer décadas.
É saber que por mais que sinta-se só, não está.
Que daqui a alguns anos, mesmo que a convivência não seja a mesma, a amizade o será.

W.A.M.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael não morreu!




Existe uma nova divisão na história e hoje os calendários dividem-se. Há o Antes de Michael e o Depois de Michael. Aquele que em vida foi considerado menos influente e conhecido apenas que o rei dos Hebreus.


Surpresa e incredulidade tomam conta da população mundial. Hoje, todos nós, amantes da música, sentimos como se nosso pai tivesse morrido. Aliás, "como se" não... ele morreu. E como acreditar se ainda ontem ouvia o cd Off the Wall e dizia que mostraria suas músicas a meus filhos e diria: "Tá vendo aquele senhor na cadeira de rodas na tv? É o rei do pop. Mamãe o viu na ativa ainda". Hoje sei que direi o mesmo, mas apontando para um pôster inanimado que nem sequer poderá passar o mesmo brilho que ele teve.

Me sinto, como muitos, começando a perder o chão. O que faremos quando os grandes revolucionários da música todos se forem? O rock morreu com Elvis e Lennon (aliás, só nos resta 2 Beatles). O blues morreu com Miles Davis. O funk (falo do bom funk, não do carioca) foi embora com James Brown e Tim Maia. Os hinos dos apaixonados se foram com Frank Sinatra. O samba se foi com Cartola e Noel Rosa.A MPB foi enterrada junto com Tom Jobim.

Perdas irreparáveis. Danos incomensuráveis. E agora? "Quem será o novo Michael Jackson?"
Eu digo: Ninguém! Ninguém substitui gênios. E ele era um gênio. Gênio da música, das performances, dos palcos. Quem dançava como Michael Jackson? Quem ia para a frente, em pé e sem cair? Quem fez o Moonwalk com tamanha leveza? Quem podia vestir um "maiô" dourado por cima da roupa e ser aclamado por milhões?

Os feitos dele foram revolucionários e mundo confirmou isso o coroando o Rei e colocando seu disco na colocação do mais vendido do mundo. 180 milhões de cópias vendidas. Isso é quase a população de um país de dimensões imensas como o Brasil. Antes de Thriller os clips eram sem vida. Ele deu vida aos clips e deu uma nova batida, um novo ritmo ao popular.

Não tratemos esse 25 de março de 2009 como o dia no qual morreu o cara bizarro, excêntrico, acusado de pedofilia, que tinha um vitiligo suspeito. Lembremos como o dia no qual o inventor do clip e de tudo que sabemos sobre o verdadeiro Pop, se foi. O homem que flutuava para trás nos palcos, está fazendo isso em uma nuvem por aí. Mas ele só se foi do meio de nós mortais.

Grandes homens não morrem, eles vivem enquanto lembrarmos de seus grandes feitos.
O Michael? Foi só bater um papinho com Elvis e volta já.

Só espero que, tão cedo, não nos sejam arrancadas todas nossas majestades.

W.A.M., em texto escrito D.M.

sábado, 9 de maio de 2009

Mãe: Anjinha ou diabinha?

Ontem li um texto no blog do Oscar Filho [ http://blogoscarfilho.zip.net/ ], no qual ele conta histórias com a sua mãe. Na hora me vieram algumas lembranças à cabeça e tive de compartilhar isso por aqui.

Eu não tenho muuuuitas histórias memoráveis com minha mãe, mas algumas me marcaram.
Como quando meu pai tinha uma Kombi [quem não conhecer esse artefato arcaico, favor procurar no Google] que carregava a família toda. Um dia, no meu aniversário de 6 anos [creio eu], fomos ao Zoo com a família materna toda e, no caminho, vi um lugar com uma placa enorme ecrita: "motel alguma-coisa-que-nã-recordo". Perguntei a ela o que era motel. Ela disse que era o mesmo que hotel. E eu, já pentelha e chata, disse que não era não. Depois de muita discussão eu disse que ia chamar de motel, porque era mais bonito e ela dizendo que ia me dar uma surra toda vez que o fizesse. =s

Por falar em pentelha, minha mãe foi uma das minhas primeiras professoras, ela que me alfabetizou e desde essa época, eu já me fazia de santinha no colégio por causa da mãe professora e da tia secretária. Fazia as coisas sempre na cara-de-pau sem ela ver. Mas um dia deu errado. Eu disse uns palavrões pra um colega, o pentelho do Jardel, e ele disse pra mamãe que saiu correndo com o tamnaco atrás de mim, enquanto eu pulava as cadeiras e todos riam. Isso é coisa que mãe faça? Podia ter me traumatizado...

Mas por falar em traumas e informações erradas relacionados à mamãe, lembro de quando a perguntei o que era menstruação e ela disse: "no tempo certo, você vai saber". Odiava aquilo! O negócio é que chegou o dia, passei o dia morrendo de dor, levei um dos maiores sustos da minha vida e só depois ela me explicou e ainda sem dizer o nome maldito. Se toda menina dependesse de uma mãe como a minha pra entender das coisas, o mundo estava super-populoso...

O pior eram as gambiarras que ela fazia no meu cabelo. Primeiro que ela não o cortava, o cabelo chegou à bunda e eu lá... Ela pegava ele, entupia [literalmente] de creme e fazia mil tranças e laços e nós e, no outro dia, como nem dava pra pentear mesmo, era mais e mais creme... Depois perguntam porque fiquei careca.

Comigo já maior, minha mãe pregou mais uma peça em mim [não que a intenção fosse pregar peça] e mandou a amiga de infância dela, dona de um salão de cabeleireiros, me depilar. Lá vou eu fazer apenas a sobrancelha e DO NADA a mulher abaixa minhas calças sem nem pedir e avisa que minha mãe mandou fazer o contorno. Ela abaixou as calças sem permissão e me fez morrer de dor e sangrar pra caramba. Agora me digam se isso não foi um mandato de estupro feito pela minha própria mãe?

Eu poderia contar muitas outras histórias aqui, mas não lembro bem. Quando for lembrando, volto pra aumentar o post. Mas, não se enganem com a minha mãe... Ela é boa sim... É a melhor mãe que eu tenho! ;D

W.A.M.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Bilhete suicida

Um site { http://www.avesso.net/suicid6.htm } publicou alguns bilhetes suicidas e dentre todos, um chamou-me atenção. Não pelo pesar das palavras, mas pela veracidade incrustada nelas e, principalmente, porque pensei que poderia ser esse o meu bilhete suicida:

Sexo, Idade : F, 27
Cor : (descendente de orientais)
Meio : projétil de arma de fogo
Forma de mensagem : carta manuscrita a tinta azul

"A quem possa interessar:
Grande parte do que possuía foi vendida ou doada. O que resta, é minha vontade que seja entregue ao meu amigo João; o qual poderá dar a meus pertences o destino que lhe aprouver.
Nada deverá ser entregue a qualquer parente meu.
Quanto aos meus restos mortais, suplico encarecidamente; não o torturem com choros, rezas ou velas. É apenas a minha matéria e imploro que a deixem degradando-se em paz. A putrefação não é degradante. Se a humanidade permitisse que a natureza tomasse o seu curso, seria o renascimento da matéria.
Eu renasceria no vento que passa a murmurar, nas folhas que farfalham, no solo que abriga e alimenta milhares de seres vivos, na água que corre para o mar nas chuvas que regam os campos, no orvalho que cintila ao luar, nas grandes árvores que abrigam ninhos de passarinhos e que vergam a passagem dos ventos fortes, nos pequenos arbustos que escondem a caça do caçador...
Céus! Eu me vingaria se apenas uma de minhas partículas participasse do desabrochar de uma flor ou do canto de um pássaro. Romântico? Não! Foi o mundo, minha família, meu educador mas principalmente... foi o seio que aconchegou a criança que vinha lhe contar as suas tristezas, máguas, alegrias, pensamentos, e seus desejos íntimos... suas esperanças. A criança crescida quer voltar para lhe contar seus sofrimentos, desilusões, a morte de suas esperanças... para encontrar novamente o aconchego onde poderá descansar sua cabeça cansada e abatida e onde poderá, enfim, chorar as suas lágrimas que não encontram onde chorar.
Volto derrotada porque não fui capaz de viver, trabalhar e estudar não foram suficientes para mim. E foi tudo o que me restou. Prefiro morrer do que viver com a morte dentro de mim.
Perdoem-me ..., ..., ..., "

" Volto derrotada porque não fui capaz de viver, trabalhar e estudar não foram suficientes para mim. E foi tudo o que me restou. Prefiro morrer do que viver com a morte dentro de mim."

Sim, eu já havia pensado nisso. Eu trabalho, estudo, mas sou um protótipo de zumbi, mesmo que, acalme-se, eu não queira morrer fisicamente. O que nos faz morrer não é uma bala ou uma corda no pescoço, essa é a morte da carne que nada passa de um receptáculo para o que somos. O que nos faz morrer é não ter na vida a intensidade desejada, não ser em vida a tal flor que desabrocha em solo infértil.

Sendo assim, completo as palavras da minha companheira e formulo o meu próprio bilhete suicida:

(...)
Essa morte é mais dolorosa e cruel do que a carnal. Ela libertará o que em mim nunca foi livre.
Na ânsia por viver, e não mais por apenas sobreviver, eu me despeço dessa vida de auto-indulgências e incompletudes para ser intensa ao menos em uma coisa: na morte.

Wânyffer Araújo Monteiro

sábado, 25 de abril de 2009

Doutor, eu não me engano...


É incrível a paixão do brasileiro por futebol. A vibração nos estádios é mais calorosa e excitante que a de qualquer outro país. Entretanto há uma paradigma que diz que os maiores times são os mais vitoriosos, afinal de que vale competir sem ganhar, não é?

Eu sinto discordar com isso. O que faz um time grande senão a força de cair e ser maior do que a própria queda, ter forças para erguer-se e transpor os limites da realidade? O que faz um torcedor mais fiel que aquele que vê o time caindo e levanta-se com ele com um vigor que pensou-se perdido e o impulsiona às vitórias posteriores?

Vencer não basta! Futebol é como a vida, na qual devemos conhecer o gosto da derrota, senão não poderemos dizer que vivemos. A raça e o vigor de uma torcida que permanece unida e numerosa mesmo depois de tantas derrotas é o que faz um time grande.

Claro que eu falo do Corinthians. Ou melhor, dos corinthianos, pois nós que temos um time. Nós o carregamos como um troféu e o erguemos bem acima de nossas cabeças para mostrá-lo a todos com o peito inchado de orgulho. Não um troféu de numerosas vitórias, mas um souvenir de obstáculos derrubados, de uma torcida sem a qual o time continuaria sendo grande, mas nunca seria "O todo poderoso Corinthians".

Se o time é o São Jorge, o santo guerreiro que a cada ano tem de derrotar vários dragões, a torcida é seu cavalo, sua base sólida que nunca se desfaz, só tem os músculos fortalecidos pelas experiências de batalhas.

Não só o Corinthians foi rebaixado, outros grandes também se ergueram, inclusive o arqui-rival Palmeiras e eu parabenizo com louvor. Mas como explicar uma torcida sofrida que levanta o time sempre com um número maior e maior de integrantes?

Há muito tempo atrás eu vi no jornal a história de um são paulino que sofreu um transplante de coração e, sem explicações, simplesmente começou a torcer pelo Corinthians. O jornal [creio que foi o próprio Globo Esporte, se alguém lembrar, me diga, por favor] foi atrás e descobriu que o doador era corinthiano. Você tem alguma explicação plausível para me dar?

Hoje mesmo, na record, vi a história de um corinthiano que sofreu um enfarto durante uma partida de futebol e o seu novo coração não era de um corinthiano, mas ele continuou a ser. Explicação?

Como explicar a paixão que ferve no peito sem uma causa aparente? Libertadores? Não, não temos. Mas nós desenvolvemos o nosso próprio poder de nos libertar. Libertar da ditadura dos títulos a todo custo e ficamos livres para amar.

Nós somos um só. Uma legião de loucos e delinquentes cujo único crime é amar demais e se render a esse amor. Carregamos o manto no corpo nas vitórias e derrotas [me chamaram de louca por sair com o manto um dia após o revaixamento], pois na primeira ou na terceira divisão um time que é garnde, permanece grande.

W.A.M.

P.S.: Sim, o post de hoje foi uma declaração escancarada de amor. A úníca que eu já diz em toda a minha vida.

Os pequenos pôneis



Show do Oscar Filho foi do Ca&%$*#, ontem! Eu sou uma fã assídua de stand-up comedy e Oscar, Danilo Gentili, Rafinha Bastos, Marco Luque, Marco Gonçalves são meus top. Fiquei muito contente ontem, afinal eu era louca pra ver o pequeno pônei ao vivo. Ri muito [apesar de prestado mais atenção nas eprnas dele 8-)], mas algumas coisas não me escaparam, principalmente as coisas tecnológicas.

Adoro essa coisa de tecnologia. Não, porque a gente vai assistir a um show e sempre tem alguém que paga às vezes 50 reais [40, noc aso do Oscar] pela budega e em vez de ver, filma. Não contente assiste o show pela tela da câmera. Não é mais fácil esperar pelo youtube, pô?

Fora que eu tava na fila pra pegar autógrafo dele e tinha uma sequelada na minha frente que disse “a bateria ta acabando!”. Eu me compadeci da dor dela, né? Afinal, como ela ia tirar foto com o Oscar? Mas ela não tava preocupada com isso, ela disse: “como eu vou ver a foto?” Mas que diabos! A câmera não tem cabo? Ela não tinha computador? Eu empresto o meu pra ela, pô.

Bom, tecnologia a parte, a presentação valeu a pena as horas em pé esperando. O cara é sensacional. Perdoem-me humoristas cearenses, mas quando eu quiser rir, ou eu vou para SP ou os de SP vêm até mim.

P.S.: O Oscar só tava vatendo foto com 2 pessoas de cada vez e a anta da Wan aqui diz: "Bate uam pra mim?!" LOGO EU! Oscar: "Eu bato uma pra você" [cri cri]. Bom, ele não em jogou na coxia e chamou de camarim, mas essa conversa filosófica valeu já. ahsoaiuhsou bjsmeliga



W.A.M.

sábado, 11 de abril de 2009

No fio da navalha

Tão frágil quanto o mais puro cristal. Uma taça cheia que não seca aos poucos, e sim, quebra. Nunca mais poderá voltar a sua forma original e o líquido nunca será reutilizado. Assim é a fina confiança que depositamos em delicados recipientes sem lembrarmos que eles estão prontos para quebrar a qualquer momento.

Aqueles que confiam são corajosos e audazes de se arriscarem no fio da navalha da lealdade e os que recebem tal sentimento e o mantêm são dignos de admiração.

Mentiras são contadas todos os dias por você e por mim, mas mentir para quem confia em você é como assumir o papel da taça e jogar tudo fora. O problema é que isso é um suicídio: a taça sempre quebra. Lealdade é mais que uma qualidade, é uma obrigação de sobrevivência. Afinal, o que é a vida senão um jogo no qual devemos aprender a conviver para sobreviver?

Dar confiança é começar uma caminhada em equipe, lado a lado, correndo o risco de sofrer uma rasteira. Confiar é por você mesmo em um dos lados de uma balança torcendo para que ela continue equilibrada. Muitas vezes, a dama que segura a balança está vendada e somos deixados ao outro.

Quando a confiança se vai, o pacto é quebrado, o líquido é derramado... não há mais volta, não há mais um único caminho. Resta seguir o outro ramo da bifurcação e torcer que ele dê em algum lugar.

W.A.M.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Dor que desatina pelo prazer de doer

De acordo com a psicóloga Ayala Pines, ciúme é "a reação complexa a uma ameaça perceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade." E esse medo de perder a pessoa amada [seja namorado (a) ou amigo (a)] pode tormar-se obsessão. Ciúme é o mal de quem ama demais e não confia em quem ama ou não confia em si mesmo.

Eu mesma sofro de ciúme, confesso. Não com todo mundo, com pouquíssimas pessoas e específicas, portanto posso testemunhar: é ruim! Muito ruim! É totalmente diferente sentir ciúme, da sensação de que tem alguém sentindo ciúme de você. Saber que alguém ficou enciumado é quase uma prova de amor, mas quando você é essa pessoa e é você que sofre (porque sim, é um sofrimento) não há nada de bonito.

Em um relacionamento, seja ele qual for, é necessário um pouco disso de vez em quando, ele mostra que o outro é importante (mesmo que aja outars formas de demonstrar isso). Às vezes você nem nota que gosta tanto de alguém até que sente essa maldita queimação. Sim, uma queimação! Queima o estômago e até os neurônios. Tudo ferve e há um descontrole. Em muitas pessoas, interno, como em mim, em outras é externo. Este sim é um problema, principalmente pro pivô do ciúme.

Alguns simplesmente não gostam desse sentimento. Eu também não. Não quando ele sai do controle (comigo ou com os outros). Não gostaria de ver alguém me impedindo de estar com outro alguém por ciúme (espero que nunca aconteça) e, mais ainda, não gosto de senti-lo e ter em mim a vontade de pedir ao meu objeto de ciúme que se afaste de alguém, até porque eu nunca faria isso e o sofrimento interno simplesmente continua queimando e queimando.

Engraçado. Tive apenas um "namorado" e não sentia isso por ele, só cuidava, mas o dava plena liberdade. Na outra mão era vítima de sua possesividade doentia. Já com alguns amigos... me pergunto se não confio neles ou em mim. Levando em conta a tamanha auto-confiança que carrego, creio que pode ser um momento de fraqueza, achar que posso perder as pessoas amadas pra outras.

Maldito sentimento!
Parodiando Camões, ele sim:

Ciúme é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina pelo prazer de doer.

É um bem querer mais que só querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.


Eu tenho umas 4 pessoas de quem sinto ciúme. Elas quatro fazem-me sofrer sem querer. Será que é por isso que as amo tanto? A dor, essa sim é ums entimento necessário.

W.A.M.

P.S.: Texto besta e mal escrito só pra voltar aqui. Não tava postando por falta de tempo. =~~