Entre devaneios e turvas visões da realidade, eu escrevo. Escrevo, porque a mão inquieta anseia por fazer desenhos do que sou e do que espero ser. Escrevo, porque o meu coração é envolto por duro gelo, mas por dentro ele queima, bate em um furacão de sentimentos e sente além do que o corpo pode passar. Escrevo para libertar-me do frio e mergulhar de vez na beleza da escuridão que não me dá certezas, mas me dá as dúvidas que construirão a intensidade de uma vida.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Lá no fundo...
Há uma coisa que Newton não percebeu. A inércia deprime. Todo corpo estagnado, sem estímulos, continua parado e... deprimente.
O meu sempre foi animado, com uma iniciativa própria que movia a si e a outros corpos. Não mais. Há um peso dentro de mim, uma âncora caída afundando-me cada dia mais. O desejo porém é outro. Desbravar novas possibilidades, descobrir caminhos, estar no topo do mundo, mas... sempre há o mas.
É deprimente buscar e não sair do mesmo lugar, colecionando decepções, decepcionando. Enegrece o que deveria ser verde. Essa bendita esperança.
O movimento que me salva da inércia agora é outro. É a âncora me levando até onde o mar perde o tom esverdeado e torna-se negro e atormentado.
W.A.M.
sábado, 21 de abril de 2012
Saudade da saudade
Qual é mesmo aquela palavra? Ah! Claro! Como poderia esquecer? Está diariamente nas atualizações das redes sociais, nas mensagens, nos lábios... A tal da "saudade".
Aspas poucas vezes me foram tão úteis. Aqui estão cercando essa palavra que existe apenas na língua portuguesa e inexiste de fato dentro daqueles que a utilizam. Saudade. Tão verbalizada, tão incompreendida.
Hipócrita seria eu em dizer que não ajudei a deturpar seu significado. Quantas vezes dizemos que sentimos saudades quando sentimos apenas falta? Sinônimos com significados tão distintos... Uma simples falta de uma semana, um mês, nunca será a saudade de quem partiu. Falta é pouco para caracterizar o que sentimos ao sentir a poeira de um álbum cheio de sorrisos. Isso sim é saudade.
Venho, então, defender o obsoletismo de palavra tão rara para o resto do mundo. Que ela volte a ter dentro de nós, quando falamos e ouvimos, o mesmo significado do dicionário. Uma enorme falta, não um meio de iniciar uma conversa ou chamar atenção.
Voltemos a sentir saudade de senti-la. Para que os reencontros e memórias sejam uma vez mais tão saborosos quanto deveriam ser.
W.A.M.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Maldição de Eros

Os gregos que me desculpem, mas Cupido não era um Deus, era sim um farmacêutico dos melhores. Essa tal de paixão não é nada mais que uma mistura de substâncias que deram errado: Dopamina, feniletilamina e ocitocina. Sim, errado, pois elas só se encontram no início dessa patologia.
Pobre Eros [cupido], criou tantas substâncias, as misturou de forma genial e continua criança para sempre. Um menino pequeno, frágil e solitário que só cresce ao lado de seu companheiro Anteros (o amor partilhado), mas não demora muito e lá está o pobre, só mais uma vez, tentando entender que ingrediente esqueceu.
Ouso pedir licença ao senhor Eros, filho da bela Vênus, para dar-lhe um conselho. Talvez sua união a Anteros só se torne possível se antes ele faça mais uma experiência e descubra a fórmula do amor-próprio. Esse sim faz crescer, fortifica e transforma meninos em homens.
O menino Cupido está sempre unindo e tentando reconquistar seu amor, esquece que a felicidade não depende de estar com alguém, mas de estar bem consigo mesmo. O amor é dependente, a felicidade não.
Bom, não sou eu, leiga [com orgulho] em assuntos do coração que ensinarei a Eros algo. Se pudesse realmente fazê-lo ouvir-me, diria para ele libertar Crônos do tártaro. Só ele, o tempo, cura.
W.A.M.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Desaguando
Posso ser clara e calma como negra e obtusa. Minhas águas correm entre bifurcações que levam aos maiores prazeres ou a lugar nenhum. Revoltas como a tempestade, banham novas margens e moldam montanhas para desaguar de alturas exorbitantes e serem a calmaria que mata a sede de todos, menos a própria.
W.A.M.
sábado, 3 de março de 2012
Eu posso!

Desafios são convites. Ou eu apenas sou "do contra", como quiser. Fato é que quando alguém diz "Não faça isso!" é quando mais dá vontade de fazer.
Assim é, ou devia ser, todo o resto. Se eu puder, do alto dos meus inexperientes 23 anos, dar algum conselho, aí vai: Seja "do contra".
Ninguém tem o direito de lhe dizer que você não pode fazer algo. Se o disserem, faça! Faça para mostrar que você pode sim, não apenas para desafiar alguém, porque, no fim, o mais importante é desafiar a si mesmo.
Me diga que não vou conseguir, garanto que consigo. Posso até falhar... Uma, duas, mil vezes... Se na milésima não der certo, continuarei tentando. Se fosse meu o dever de editar o "Aurélio", tiraria a palavra "desistir" e seus derivados desse dicionário.
Só quem pode dizer o que você pode ou não, deve ou não, consegue ou não, é você mesmo. Cada um sabe dos seus limites. E desde que não prejudique alguém, esse limite pode até não existir.
Viver sem limites não é rebeldia, mas superar suas próprias limitações a cada dia.
W.A.M.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Valeu a pena

Re-começar. Começar de novo. Será que um dia começou?
É duro olhar pra trás e ver o que ficou em um passado tão recente, intenso e querido. O desapego é uma arte pra um Picasso e não pra uma amadora. Se bem que até ele teve suas fases desconcertantes.
Incrível como um movimento pode mudar sua vida. Ninguém disse que ela seria fácil. Bom, não serei eu a dizer que ela é difícil. Como a amadora clichê que sou, devo entoar mais algumas daquelas frases feitas para auto-consolo.
"Devemos aprender com as dificuldades". "Nada é por acaso". "Há males que vem pro bem". E tantas outras... Clichês, sim. Mentiras, nunca.
Recomeçar é mais fácil se olharmos pro passado como um caminho de aprendizado, quando temos a certeza que fizemos, ou pelo menos tentamos fazer, o certo. O passado é respeitado, amado, mas passou. É importante estar pronto para um recomeço ou mesmo para começar. Algo novo, diferente, algo que também valha a pena viver.
A vida não é difícil se notarmos o quão efêmera é. A dor é parte dela, por isso é preciso aproveitá-la tanto quanto as alegrias. Destas saímos iguais, das dores saímos mais fortes.
W.A.M.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
?

Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? O que é melhor, chocolate ou morango? Vim do macaco ou de uma costela?
Será que faço meu destino ou os astros que o fazem? Essa roupa engorda? Doce ou salgado? Suave ou apimentado?
Haverá cura pro câncer? E sexo, faz bem pra saúde ou é pecado mortal?
Plutão é o limite? Existe vida na lua? Colo de mãe ou de vó?
Há respostas pra todas indagações?
O mundo é movido por perguntas e nós não temos todas as respostas.
W.A.M.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Humpty dumpty

Há uma linha tênue entre o amor e o ódio. Por que então escolher o segundo? Incapacidade de cruza-la?
Talvez eu esteja ali, em cima dela, como um Humpty-dumpty de saias. Indecisa. Ali prefiro estar. Minha indecisão me faz humana. Minha incerteza, viva. Não quero ter certeza de nada. Nem disso estou certa.
Olho ao meu redor e vejo tanta certeza. Quer saber? Tenho preguiça para discussões. Geralmente são tentativas de fazer-me aceitar um ponto de vista como meu, convencer-me de que minha opinião é absurda. Me fazer notar o quão burra sempre fui.
Na verdade, ninguém precisa me dizer isso. Sim, sou burra, tola, divagante. Minha natureza me faz indagar para tentar descobrir o que nos move, como tudo funciona. Minha opinião pode mudar. DEVE mudar.
Odeie o que amo, mas não tente me convencer do contrário. Se limite a amar. Amar o que lhe diz respeito. Me mostre o seu ponto de vista e aprenderei com você. A dialética deve construir pontes, não muros.
W.A.M.
Vontades

Eu não quero ter a ignorância dos certos ou a tristeza dos espertos. Não quero mais ver chegar janeiro sonhando com dezembro.
Quero banho de chuva em plena avenida. Quero montanha-russa, maçã do amor. Eu não quero ser maria-fumaça, no trilho. Prefiro nadar em Nicarágua ou um desestruturante abalo sísmico.
Quero proteger Geny, pagar uma cerveja pra Pagu. Cantarolar Joplin ao lado de Bettie Page.
Não venha me dizer a altura da queda, ao sair esqueço meu para-quedas. Não quero ter que calar o meu canto. Prefiro desafinar em praça pública. Morrer e matar de amor.
Sujar de lama o all star novo. Usar na segunda a roupa de domingo.
Quero um caso de amor com a vida até que a morte nos separe.
W.A.M.
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