segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sentir mais, pensar menos, por favor.

Ouço soluços desesperados por coisas tão supérfluas. Ouço soluços de pessoas no escuro por continuarem com os olhos fechados. Ouço soluços quando mais fácil seria abrir os olhos, secar as lágrimas e procurar soluções.
Fácil falar de amor quando seu coração não reage ao mínimo esforço. Melhor parar de ler por aqui, caro leitor, minhas teorias podem ser inúteis e podem vir a desagradar as mulheres de plantão e àqueles que se entitulam "Os canalhas".
Homem não ilude. Mulher se ilude. Teoria louca, mas deixe-me explicar. 
Há canalhas por toda parte. Eles tem sorriso largo, carícias gostosas, abraços calorosos. Eles te tratam bem no momento em que estão com você. Depois... passou. Digam-me: que há de errado nisso? A maioria dos canalhas não promete a você flores no dia dos namorados, não planejam seus filhos, nem prometem ligar no outro dia. A maioria não diz que te ama, apenas que te quer. Eles não verão filme despretensiosamente com você num domingo à noite, nem te levarão pra beber com os amigos deles. Eles não dizem o que querem, porque homens não têm a necessidade de verbalizar cada ação e sentimento. Para eles está tudo explícito nas atitudes.
Se prestarmos atenção, está mesmo. O mal da mulher é receber uma mensagem chamando para um cinema e imaginar que ele passou o dia todo pensando nela, pensando em chamá-la para sair. O mal é sonhar. Mas, digo de novo, que mal há nisso? 
Os tais canalhas tem um porquê de se chamar assim. Geralmente tiveram desilusões adolescentes de amores que foram os primeiros e, na época, pareciam ser os últimos. Geralmente foram fofos, meigos e pensavam sim num dia dos namorados. Aí veio uma mocinha e partiu os corações deles.
Aí eu digo. E daí, rapazes? As mocinhas também passaram por isso. A maioria continua sonhando, enquanto vocês fizeram o caminho inverso. Vocês acham que são os canalhas, mas são elas,  as pobres sonhadoras, que imaginam mundos quando vocês não se acham capazes de oferecer nada.
Continuo dizendo. Homem não ilude. Claro que há aquelas excessões que lhe levam para um jantar romântico em um dia e no outro levam outra garota. Mas são excessões daqueles que não são capazes de amar nem a si próprios.
Mulheres, seu mal está em fantasiar, imaginar um homem perfeito quando ele não existe. Também não há mulher perfeita. Não há perfeição. Parem de por a culpa nos tais canalhas. Homens, não se dêem todo crédito por partir o coração de uma moça. Ah, não... vocês são os menos culpados.
Mulheres, parem de achar que todo homem é canalha. Homens, parem de tratar uma mensagem de uma mulher como paixão. Ninguém é igual. Nosso mal é pensar demais.
Palavras de uma mulher, mas só de uma. Então, como bons "canalhas",  melhor nem levar a sério.

W.A.M.

domingo, 9 de setembro de 2012

Seja mal-vinda

 O coração parou como em um enfarto fulminante, a respiração desapareceu de súbito e os olhos pareciam vidro duro arregalados de terror. Estava eu ali de frente com a morte. Maldita senhora milenar que insiste em levar o melhor de mim: os outros.
Vê-la ali, instalada na sala de estar como se tivesse sido convidada de bom grado, de mãos dadas com ele, me fez esquecer todos os bons modos. "Vá dizer oi pras visitas, faça sala pra elas" - sempre disse minha mãe. Teimei. Virei as costas e tentei retomar as batidas do coração assim como a respiração. 
Lá estava aquela velha inxirida, mais uma vez, levando um pouquinho de mim. Voltar à sala não foi fácil. Foi necessário. E olhá-lo... Estava lindo. Rosto tranquilo como não via há muito tempo. Dois dias antes a visão no quarto de um hospital fora pior. E como fora difícil dizer adeus.
Como se diz adeus a quem não quer que vá? Como dizer adeus sabendo que não haverá volta? Meu coração se confortou com a ideia de que agora ele estava descansando em paz. Tinha, inclusive, ignorado a velha inxirida até... tocá-lo. Foi cruel. Sentir o gelo da pele que tanto me esquentou quando tive frio, quando tive medo, quando simplesmente fazia manha em troca de colo. Um gelo cruel. Mortal.
Não há como ignorar a velha maldita.
Ainda assim a sensação de que não era verdade circundava-me.  Fui para casa, deitei na cama, fechei portas e janelas, abri a garrafa e fitei o teto. Era a primeira vez que ficava sozinha desde a notícia. Gostava de ficar sozinha. Não dessa vez. Só então veio a certeza que nunca mais o veria. Nunca mais deitaria com ele na rede de palha na varanda. Nunca mais receberia aquele sorriso escancarado de presente. Nunca mais receberia uma visita surpresa.
É. Virei. Desmaiei. Um sono profundo do qual não queria mais acordar. Mas acordei. A vida continua e um dia a outra chega. A indesejada, a inxirida, a maldita velha ranzinza. Ela virá e vai se instalar na sala da minha casa e eu também vou ser obrigada a fazer sala.

W.A.M.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Adeus...

Não venho aqui externar inteiramente minha dor, nesse momento ela só pertence a mim, mas fazer uma espécie de alerta. Hoje se foi mais uma vítima da própria teimosia, do próprio vício. Ele se foi graças ao cigarro. Mas o homem da foto tinha 85 anos, era pai de 14 filhos, homem bruto do interior do Ceará que passou a vida no cabo da enxada e em casa de taipa. O homem da foto não teve, durante maior parte da vida, informações suficientes para se conscientizar do que estava fazendo consigo mesmo, quando teve, era tarde.
Ele é mais uma prova de que o cigarro mata. Pode ser aos poucos, mas acaba com seu fôlego, com a sua qualidade de vida e, enfim, tira seu ar... É incrível como, na sociedade contemporânea, há tantas fontes de informação, tantos exemplos como esse e vejo por aí jovens começando a fumar, porque é 'cool', outros fumando 'socialmente, porque ah!!! não faz mal... só quando bebo'. Incrível.
Se você faz isso, saiba que está encurtando sua vida e, para mim, uma pessoa que fuma tendo consciência disso tem sérias tendências suicidas. Parabéns para você que quer se matar, mas não tem coragem suficiente de fazê-lo prontamente.
O homem da foto era forte, bem mais que um touro. A mãe dele morreu centenária, com 108 anos, e ele tinha tudo para alcançar a faixa. Foram 7 anos de luta constante contra o câncer, mas o cigarro castiga. Como aquela garota que você ama, mas lhe ilude... lhe dá amor... lhe faz sentir bem. Depois, lhe dá uma rasteira irreversível.
Quanto a mim não adianta chorar se era ele quem sempre me dava esse sorriso lindo. Não adianta lamentar, se ele sabia e, de certa forma, queria que isso acontecesse após tanto tempo de dor amenizada apenas pela morfina. A vida é um ciclo efêmero que um dia finda.Só não vale encurtá-la.
Meu vôzinho vivia em uma realidade bruta, dura, diria  que era até real demais para nós. Se você tem facebook, deve ter informação suficiente para saber o que o cigarro faz.
Não se mate, por favor. Alguém vai sofrer.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Vai entender...

Se é calada, é sonsa; Se é comunicativa, fala demais.
Se chega nele, é puta; se espera chegarem, não tem iniciativa.
Se é simpática, dá mole pra qualquer um; Se não, é besta demais.
Se vai pra casa logo na primeira noite, é uma qualquer; se não, é cu doce.
Se  faz contato após ficarem, é carente; se espera fazer, pode ficar esperando pra sempre.
Querem que seja sempre sorridente, delicada, fale pouco e tenha uma voz agradável, que seja uma princesa disney. E fazem questão de lembrar que príncipes não existem.
Se aperta firme a mão, é confiante demais, melhor se afastar. Se olha nos olhos, intimida demais, melhor se virar.
Se morde é arisca, se tem sempre uma resposta na ponta da língua, é bruta.

Ok, homens. Melhor vestirmos sempre nossos vestidos rosas de cetim, cantarmos canções de ninar pensando nos futuros prováveis filhos, baixarmos a cabeça para tudo que dizem e respondermos apenas o necessário.
Melhor abrirem um livro de contos de fadas ou procurar patricinhas bem mimadas, porque mulheres de verdade não querem encontrar.

W.A.M.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

No final...

Não sabia se era a luz que ofuscava a visão ou se realmente não tinha fim. Só sentia que puxava e puxava e nunca chegava à outra ponta, como se alguém estivesse lá do outro lado fazendo o mesmo.
As mãos sangravam na tentativa de chegar lá, descobrir o que o estava esperando. Uma brincadeira infantil com um cabo de aço grosseiro. Aos poucos o sangue ia tirando o viço da pele, a vontade de continuar. Cada ferida, uma desilusão. Sem tempo para trocar de pele ou de coração. 
Hora de desistir. Não havia ninguém na outra ponta, fato. Soltou o cabo e pensou em dar as costas, melhor não.O cabo estava se mexendo sozinho. De repente, segurando a ponta que tanto procurara, surgiu como uma visão sombreada pelo sol às suas costas, uma bela garota de olhos verdes e pele morena. Não sabia se era de fato bonita, mas o encanto foi instantâneo.
Bem que disseram. Há sempre alguém na outra ponta, basta não parar de tentar mesmo com as feridas do caminho.

W.A.M.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

tic-tac-tum


"Tic-tac, tic-tac, tic-tac", disse o ponteiro do relógio que carregava no pulso. Disse com um tom irritante, como quem diz: "Não adianta esperar, garota! Ele não vai chegar".
Enquanto os ponteiros resmungavam entre si, o peito quase não tinha forças para segurar um coração frenético. "Tum-tum, tum-tum, tumtumtumtum, tumtumtumtum", disse ele por ser educado. Mas na verdade queria berrar: "Que espera dolorosa, não aguento mais!!!!!"
Maldita vontade de alardear ao vento quente daquela noite o que se passava com ela já havia um tempo. Não tinha experiência o bastante para dissertar sobre as coisas da vida, mas bastou sentir a pimeira vez para saber que aquilo era paixão. Que esquenta as maçãs do rosto e borbulha como água quente correndo pelas veias.
E olha que ele nem havia chegado. Aquilo tudo era apenas na esperança de vê-lo mais uma vez. Admirar, mesmo que ao longe, o que vira e, ao mesmo tempo, entender o que vira de tão especial.
Relógio e coração gritaram em uníssono quando ele finalmente surgiu com aquele sorrigo largo com gostinho de suco de morango. 
Parou. Sorriu. Abraçou. Silenciou. De repente o relógio ficou mudo, os ponteiros pararam de brigar e congelaram. O coração esqueceu as reclamações para descansar junto ao outro que o acolhia tão bem.
Valeu a pena esperar só por aquele momento mesmo que o seguinte fosse cheio de incertezas e indagações. Medo de acordar abraçando o travesseiro.

W.A.M.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O que é que há?

Há sinceridade em toda parte. Alardeada em rouquidão bombardeando a solidão. 
Há muita sinceridade. 
Mais do que pode-se crer de fato, mais do pode-se ver no ato.
Há sinceridade com sorriso largo, olhos espertos e afagos ao vento.
Há com cenho fechado, seriedade no jeito e olhos atentos. 
Há em toda parte o que não há de verdade.
Há sinceros demagogos de verbos lustrosos e verdade sem gozo.
Há muito de nada. Há nada para muitos.Há muito de pouco.

W.A.M.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Detalhista

A espera é longa e dolorosa. Um dia aquele mega-acontecimento vai chegar, mudar minha vida, me fazer feliz. O tempo passa, expectativa aumenta, decepção também. Esperamos o incerto e esquecemos da certeza: o agora.
A vida não é feita de grandes milagres, felicidades extremas, amores extasiantes. Não é. Na caça incessante pela felicidade, vence o detalhista. Aquele que olha nos olhos, que sorri ao notar o primeiro dia de lua cheia, que entrega uma flor a uma moça e recebe em troca um leve rubor.
É nos detalhes que se esconde o segredo da felicidade. No cafuné sincero, nas palavras sussurradas pelo amor, no racha do final de semana. Naquele dia em que tudo deu errado, mas você fica feliz por estar cansado apenas por estar sentindo algo. 
Algumas pessoas colocam todas as chances de ser felizes no príncipe que chegará em seu cavalo branco. A felicidade pode estar sentada na sala de aula, na esteira ao lado, na padaria do cafézinho  fraco, sempre lhe observando sem a coragem de se apresentar. Ou, ela simplesmente, pode estar bem mais escondida, lhe olhando por dentro, esperando ser libertada por um sorriso pueril.

W.A.M.

Uma sonhadora eu, coitada

 Eu tenho um sonho. Sonho com o dia em que o egoísmo dê lugar ao altruísmo. Em que os enamorados não tenham medo de arriscar, em que a fome seja apenas o que sentimos entre o café da manhã e o almoço.
Sonho com resoluções. Que os conflitos sejam resolvidos com palavras e as guerras enfeiem apenas os livros de história. Sonho que a violência fique na história.
Sonho com o dia em que a leitura vire um hábito universal. Que as crianças dividam as atenções entre o Mário Bros e o Monteiro Lobato, que brinquem e não tenham pressa em crescer.
Sonho com vitórias. Do grupo sobre o individual. Que a humana seja uma raça sem subdivisões. Sonho em ver homens de mãos dadas, casais de mulheres com seus filhos e que todos os casamentos sejam iguais. Sonho com o dia em que o amor seja um só.
Sonho em ver as pessoas se aceitando como são e dando aos outros o direito de serem aceitos.
Sonho com que todas as crianças acreditem em papai noel e que recebam dele seus presentes de natal. Sonho em ver viadutos limpos da miséria.
Sonho em poder confiar nas pessoas sem medo de me machucar e em me deixar ser amada sem medo de ferir.
Sonho com mais árvores nas cidades e mais liberdade entre os homens.
Sonho em andar na rua sem medo, em ver as escolas cheias e os parques animados. Sonho com o dia em que colocar um filho no mundo se torne seguro.
Sonho com homens íntegros, cheios de princípios e respeito pelo próximo. Sonho com uma boa notícia sobre a renda per capita no jornal noturno.
Sonho com meus sonhos.
Sonho com o dia em que meus sonhos irrealizáveis virem realidades insonháveis.

domingo, 22 de julho de 2012

Atrasado

Aproveitando a modinha das frases, um feliz dia do "paga o meu que te pago com amor", galera. Vocês são os melhores.

Natália: "É só tu olhar pra mim que vou entender"
Renata: "Bora matar aula hoje, nega?"
Luiza: "Faz a cópia da chave lá de casa, mana"
Aline: "Não deixa eu ficar bêbada?"
Diego: "Comer pastel, corujito da Sherra?"
Carlos: "Ei, resume o livro da prova pra mim?"
PV: "Tenho uma coisa pra te contar que nunca contei. É segredo!"
Fox: "Carona, Wanzinha?"
Bia: "Mulher, não vou deixar tu usar isso!"
Rafael: "Te conheço, Wandinha"
Saulo: "Habib's? Pago o teu"
Igor: "Vem aqui na porta do teu trabalho, tenho um presente pra ti"
Bernardo: "Me atualiza das novidades!"

Obrigada pelos docinhos, por terem segurado meu cabelo, pelas tardes de estudo, pelas roupas emprestadas, pelas cervejas pagas, pelas caronas, por terem brigado comigo, pelos desenhos no meio da aula, pelas piadas, pelos memes compartilhados, pelas fofocas, pelas partidas de video-game, por termos feito as pazes, por me darem juízo, enfim... valeu aí, galera!