terça-feira, 4 de setembro de 2012

Adeus...

Não venho aqui externar inteiramente minha dor, nesse momento ela só pertence a mim, mas fazer uma espécie de alerta. Hoje se foi mais uma vítima da própria teimosia, do próprio vício. Ele se foi graças ao cigarro. Mas o homem da foto tinha 85 anos, era pai de 14 filhos, homem bruto do interior do Ceará que passou a vida no cabo da enxada e em casa de taipa. O homem da foto não teve, durante maior parte da vida, informações suficientes para se conscientizar do que estava fazendo consigo mesmo, quando teve, era tarde.
Ele é mais uma prova de que o cigarro mata. Pode ser aos poucos, mas acaba com seu fôlego, com a sua qualidade de vida e, enfim, tira seu ar... É incrível como, na sociedade contemporânea, há tantas fontes de informação, tantos exemplos como esse e vejo por aí jovens começando a fumar, porque é 'cool', outros fumando 'socialmente, porque ah!!! não faz mal... só quando bebo'. Incrível.
Se você faz isso, saiba que está encurtando sua vida e, para mim, uma pessoa que fuma tendo consciência disso tem sérias tendências suicidas. Parabéns para você que quer se matar, mas não tem coragem suficiente de fazê-lo prontamente.
O homem da foto era forte, bem mais que um touro. A mãe dele morreu centenária, com 108 anos, e ele tinha tudo para alcançar a faixa. Foram 7 anos de luta constante contra o câncer, mas o cigarro castiga. Como aquela garota que você ama, mas lhe ilude... lhe dá amor... lhe faz sentir bem. Depois, lhe dá uma rasteira irreversível.
Quanto a mim não adianta chorar se era ele quem sempre me dava esse sorriso lindo. Não adianta lamentar, se ele sabia e, de certa forma, queria que isso acontecesse após tanto tempo de dor amenizada apenas pela morfina. A vida é um ciclo efêmero que um dia finda.Só não vale encurtá-la.
Meu vôzinho vivia em uma realidade bruta, dura, diria  que era até real demais para nós. Se você tem facebook, deve ter informação suficiente para saber o que o cigarro faz.
Não se mate, por favor. Alguém vai sofrer.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Vai entender...

Se é calada, é sonsa; Se é comunicativa, fala demais.
Se chega nele, é puta; se espera chegarem, não tem iniciativa.
Se é simpática, dá mole pra qualquer um; Se não, é besta demais.
Se vai pra casa logo na primeira noite, é uma qualquer; se não, é cu doce.
Se  faz contato após ficarem, é carente; se espera fazer, pode ficar esperando pra sempre.
Querem que seja sempre sorridente, delicada, fale pouco e tenha uma voz agradável, que seja uma princesa disney. E fazem questão de lembrar que príncipes não existem.
Se aperta firme a mão, é confiante demais, melhor se afastar. Se olha nos olhos, intimida demais, melhor se virar.
Se morde é arisca, se tem sempre uma resposta na ponta da língua, é bruta.

Ok, homens. Melhor vestirmos sempre nossos vestidos rosas de cetim, cantarmos canções de ninar pensando nos futuros prováveis filhos, baixarmos a cabeça para tudo que dizem e respondermos apenas o necessário.
Melhor abrirem um livro de contos de fadas ou procurar patricinhas bem mimadas, porque mulheres de verdade não querem encontrar.

W.A.M.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

No final...

Não sabia se era a luz que ofuscava a visão ou se realmente não tinha fim. Só sentia que puxava e puxava e nunca chegava à outra ponta, como se alguém estivesse lá do outro lado fazendo o mesmo.
As mãos sangravam na tentativa de chegar lá, descobrir o que o estava esperando. Uma brincadeira infantil com um cabo de aço grosseiro. Aos poucos o sangue ia tirando o viço da pele, a vontade de continuar. Cada ferida, uma desilusão. Sem tempo para trocar de pele ou de coração. 
Hora de desistir. Não havia ninguém na outra ponta, fato. Soltou o cabo e pensou em dar as costas, melhor não.O cabo estava se mexendo sozinho. De repente, segurando a ponta que tanto procurara, surgiu como uma visão sombreada pelo sol às suas costas, uma bela garota de olhos verdes e pele morena. Não sabia se era de fato bonita, mas o encanto foi instantâneo.
Bem que disseram. Há sempre alguém na outra ponta, basta não parar de tentar mesmo com as feridas do caminho.

W.A.M.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

tic-tac-tum


"Tic-tac, tic-tac, tic-tac", disse o ponteiro do relógio que carregava no pulso. Disse com um tom irritante, como quem diz: "Não adianta esperar, garota! Ele não vai chegar".
Enquanto os ponteiros resmungavam entre si, o peito quase não tinha forças para segurar um coração frenético. "Tum-tum, tum-tum, tumtumtumtum, tumtumtumtum", disse ele por ser educado. Mas na verdade queria berrar: "Que espera dolorosa, não aguento mais!!!!!"
Maldita vontade de alardear ao vento quente daquela noite o que se passava com ela já havia um tempo. Não tinha experiência o bastante para dissertar sobre as coisas da vida, mas bastou sentir a pimeira vez para saber que aquilo era paixão. Que esquenta as maçãs do rosto e borbulha como água quente correndo pelas veias.
E olha que ele nem havia chegado. Aquilo tudo era apenas na esperança de vê-lo mais uma vez. Admirar, mesmo que ao longe, o que vira e, ao mesmo tempo, entender o que vira de tão especial.
Relógio e coração gritaram em uníssono quando ele finalmente surgiu com aquele sorrigo largo com gostinho de suco de morango. 
Parou. Sorriu. Abraçou. Silenciou. De repente o relógio ficou mudo, os ponteiros pararam de brigar e congelaram. O coração esqueceu as reclamações para descansar junto ao outro que o acolhia tão bem.
Valeu a pena esperar só por aquele momento mesmo que o seguinte fosse cheio de incertezas e indagações. Medo de acordar abraçando o travesseiro.

W.A.M.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O que é que há?

Há sinceridade em toda parte. Alardeada em rouquidão bombardeando a solidão. 
Há muita sinceridade. 
Mais do que pode-se crer de fato, mais do pode-se ver no ato.
Há sinceridade com sorriso largo, olhos espertos e afagos ao vento.
Há com cenho fechado, seriedade no jeito e olhos atentos. 
Há em toda parte o que não há de verdade.
Há sinceros demagogos de verbos lustrosos e verdade sem gozo.
Há muito de nada. Há nada para muitos.Há muito de pouco.

W.A.M.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Detalhista

A espera é longa e dolorosa. Um dia aquele mega-acontecimento vai chegar, mudar minha vida, me fazer feliz. O tempo passa, expectativa aumenta, decepção também. Esperamos o incerto e esquecemos da certeza: o agora.
A vida não é feita de grandes milagres, felicidades extremas, amores extasiantes. Não é. Na caça incessante pela felicidade, vence o detalhista. Aquele que olha nos olhos, que sorri ao notar o primeiro dia de lua cheia, que entrega uma flor a uma moça e recebe em troca um leve rubor.
É nos detalhes que se esconde o segredo da felicidade. No cafuné sincero, nas palavras sussurradas pelo amor, no racha do final de semana. Naquele dia em que tudo deu errado, mas você fica feliz por estar cansado apenas por estar sentindo algo. 
Algumas pessoas colocam todas as chances de ser felizes no príncipe que chegará em seu cavalo branco. A felicidade pode estar sentada na sala de aula, na esteira ao lado, na padaria do cafézinho  fraco, sempre lhe observando sem a coragem de se apresentar. Ou, ela simplesmente, pode estar bem mais escondida, lhe olhando por dentro, esperando ser libertada por um sorriso pueril.

W.A.M.

Uma sonhadora eu, coitada

 Eu tenho um sonho. Sonho com o dia em que o egoísmo dê lugar ao altruísmo. Em que os enamorados não tenham medo de arriscar, em que a fome seja apenas o que sentimos entre o café da manhã e o almoço.
Sonho com resoluções. Que os conflitos sejam resolvidos com palavras e as guerras enfeiem apenas os livros de história. Sonho que a violência fique na história.
Sonho com o dia em que a leitura vire um hábito universal. Que as crianças dividam as atenções entre o Mário Bros e o Monteiro Lobato, que brinquem e não tenham pressa em crescer.
Sonho com vitórias. Do grupo sobre o individual. Que a humana seja uma raça sem subdivisões. Sonho em ver homens de mãos dadas, casais de mulheres com seus filhos e que todos os casamentos sejam iguais. Sonho com o dia em que o amor seja um só.
Sonho em ver as pessoas se aceitando como são e dando aos outros o direito de serem aceitos.
Sonho com que todas as crianças acreditem em papai noel e que recebam dele seus presentes de natal. Sonho em ver viadutos limpos da miséria.
Sonho em poder confiar nas pessoas sem medo de me machucar e em me deixar ser amada sem medo de ferir.
Sonho com mais árvores nas cidades e mais liberdade entre os homens.
Sonho em andar na rua sem medo, em ver as escolas cheias e os parques animados. Sonho com o dia em que colocar um filho no mundo se torne seguro.
Sonho com homens íntegros, cheios de princípios e respeito pelo próximo. Sonho com uma boa notícia sobre a renda per capita no jornal noturno.
Sonho com meus sonhos.
Sonho com o dia em que meus sonhos irrealizáveis virem realidades insonháveis.

domingo, 22 de julho de 2012

Atrasado

Aproveitando a modinha das frases, um feliz dia do "paga o meu que te pago com amor", galera. Vocês são os melhores.

Natália: "É só tu olhar pra mim que vou entender"
Renata: "Bora matar aula hoje, nega?"
Luiza: "Faz a cópia da chave lá de casa, mana"
Aline: "Não deixa eu ficar bêbada?"
Diego: "Comer pastel, corujito da Sherra?"
Carlos: "Ei, resume o livro da prova pra mim?"
PV: "Tenho uma coisa pra te contar que nunca contei. É segredo!"
Fox: "Carona, Wanzinha?"
Bia: "Mulher, não vou deixar tu usar isso!"
Rafael: "Te conheço, Wandinha"
Saulo: "Habib's? Pago o teu"
Igor: "Vem aqui na porta do teu trabalho, tenho um presente pra ti"
Bernardo: "Me atualiza das novidades!"

Obrigada pelos docinhos, por terem segurado meu cabelo, pelas tardes de estudo, pelas roupas emprestadas, pelas cervejas pagas, pelas caronas, por terem brigado comigo, pelos desenhos no meio da aula, pelas piadas, pelos memes compartilhados, pelas fofocas, pelas partidas de video-game, por termos feito as pazes, por me darem juízo, enfim... valeu aí, galera!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

No meu ateliê

Creio que foi Van Gogh quem disse, ao ouvir que ele era um homem de sorte: "Quando a sorte batia à minha porta, eu estava sempre trabalhando no meu ateliê". Afinal quem é essa tal de Sorte? Aquela que desfila por aí, sorridente e oferecida, esperando cair no colo do primeiro que estiver à sua frente, sentado, estático, só esperando a vida passar. Ou é aquela inteligente e esnobe que não se engraça por qualquer um até esse alguém merece-la?

Não é  sorte que faz nosso caminho, somos nós que fazemos a sorte. Ela pode ter a forma que quisermos, reta e direta ou curvilínea e misteriosa. O único modo de não a ter é não tentar.

Para conquistar essa orgulhosa é preciso ser astuto, correr atrás, tentar, levar nãos, falhar, tentar, levar uma porta na cara, falhar, tentar, tentar, tentar... vence-la pelo cansaço ou, simplesmente, pelo seu merecimento somado à oportunidade.

Sorte é uma mocinha misteriosa, leva tempo para se aproximar, mas quando chega é só agarrar e não deixar escapar.

W.A.M.

sábado, 19 de maio de 2012

Pode ficar com o troco


Garçom, uma cerveja para começar. Estupidamente gelada. Como o mundo... estúpido e gelado. Ah! E um guardanapo, por favor. Hoje nada de batom vermelho, ele só atrapalha. Ressalta essa minha cara de durona e acabam esquecendo que tenho um coração.
Isso mesmo, seu garçom. Sou mais sensível do que consigo demonstrar. Amor? Não, com isso não. Isso vem com o tempo e terei muito no futuro. Mas amigos... não consigo deixar de sentir a dor deles .
Me chamam de grossa, arisca, hostil... mereço cada uma dessas palavras e prefiro assim. A velha máscara. Esconde o que há de melhor em mim. Prefiro ser hostil a esquecer o verdadeiro significado de uma amizade. Você sabe qual é? É... difícil mesmo, mas com o tempo fui trabalhando nesse conceito.
Amizade não é dar um perfume no aniversário, mas lembrar de alguém com um bombom fora de hora. Sair para beber qualquer um faz, até mesmo só... olha eu aqui... ficar em casa e compartilhar alegrias e dores é outra história.
Acima de tudo está o respeito e aprender a relevar. Todos temos defeitos, seu garçom. Por falar nisso essa sua gravatinha tá fora de moda, hein? Mas eu vou relevar, sabe porque? Ser amigo é saber de cada um dos defeitos de alguém e conviver com eles. Gostar do outro como ele é. Tudo bem, eu sei que ninguém tem a obrigação de aturar nada, é aí que minha máscara cai. Por um amigo pra vida inteira, sou capaz de tudo.
Posso desabafar ainda mais? Quero ir para aquele novo circo que chegou à cidade, ver as luzes, a magia, as crianças inocentes e sem preocupações sendo levadas pelo show no picadeiro. Mas não tenho coragem. Já sei o final. O palhaço sai de cena, lava o rosto e acaba em seu trailer com cervejas quentes e remédios, esperando o dia seguinte, as novas crianças, a nova vida.
Sou uma palhaça, seu garçom. Hiperativa com cara de durona, porém uma molenga apaixonada pelos amigos, incapaz de nutrir ressentimentos. Talvez essa seja uma visão romântica do mundo. Engraçado isso vindo de quem não se apaixona, trágico vindo de quem só quer ver os outros felizes.
Sim, me envolvo. Sofro. Esqueço. Opa! A cerveja acabou, mais uma! O que eu estava dizendo mesmo? Deixa pra lá, pouco importa. Nada que não pudesse ser esquecido com o tempo de uma boa cerveja e uma bela convera.
Obrigada, seu garçom. Pode ficar com o troco.

W.A.M.