sexta-feira, 6 de abril de 2012

Maldição de Eros



Os gregos que me desculpem, mas Cupido não era um Deus, era sim um farmacêutico dos melhores. Essa tal de paixão não é nada mais que uma mistura de substâncias que deram errado:
Dopamina, feniletilamina e ocitocina. Sim, errado, pois elas só se encontram no início dessa patologia.

Pobre Eros [cupido], criou tantas substâncias, as misturou de forma genial e continua criança para sempre. Um menino pequeno, frágil e solitário que só cresce ao lado de seu companheiro Anteros (o amor partilhado), mas não demora muito e lá está o pobre, só mais uma vez, tentando entender que ingrediente esqueceu.

Ouso pedir licença ao senhor Eros, filho da bela Vênus, para dar-lhe um conselho. Talvez sua união a Anteros só se torne possível se antes ele faça mais uma experiência e descubra a fórmula do amor-próprio. Esse sim faz crescer, fortifica e transforma meninos em homens.

O menino Cupido está sempre unindo e tentando reconquistar seu amor, esquece que a felicidade não depende de estar com alguém, mas de estar bem consigo mesmo. O amor é dependente, a felicidade não.

Bom, não sou eu, leiga [com orgulho] em assuntos do coração que ensinarei a Eros algo. Se pudesse realmente fazê-lo ouvir-me, diria para ele libertar Crônos do tártaro. Só ele, o tempo, cura.

W.A.M.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Desaguando

Posso ser clara e calma como negra e obtusa. Minhas águas correm entre bifurcações que levam aos maiores prazeres ou a lugar nenhum. Revoltas como a tempestade, banham novas margens e moldam montanhas para desaguar de alturas exorbitantes e serem a calmaria que mata a sede de todos, menos a própria.

W.A.M.

sábado, 3 de março de 2012

Eu posso!


Desafios são convites. Ou eu apenas sou "do contra", como quiser. Fato é que quando alguém diz "Não faça isso!" é quando mais dá vontade de fazer.
Assim é, ou devia ser, todo o resto. Se eu puder, do alto dos meus inexperientes 23 anos, dar algum conselho, aí vai: Seja "do contra".
Ninguém tem o direito de lhe dizer que você não pode fazer algo. Se o disserem, faça! Faça para mostrar que você pode sim, não apenas para desafiar alguém, porque, no fim, o mais importante é desafiar a si mesmo.
Me diga que não vou conseguir, garanto que consigo. Posso até falhar... Uma, duas, mil vezes... Se na milésima não der certo, continuarei tentando. Se fosse meu o dever de editar o "Aurélio", tiraria a palavra "desistir" e seus derivados desse dicionário.
Só quem pode dizer o que você pode ou não, deve ou não, consegue ou não, é você mesmo. Cada um sabe dos seus limites. E desde que não prejudique alguém, esse limite pode até não existir.
Viver sem limites não é rebeldia, mas superar suas próprias limitações a cada dia.

W.A.M.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Valeu a pena


Re-começar. Começar de novo. Será que um dia começou?
É duro olhar pra trás e ver o que ficou em um passado tão recente, intenso e querido. O desapego é uma arte pra um Picasso e não pra uma amadora. Se bem que até ele teve suas fases desconcertantes.
Incrível como um movimento pode mudar sua vida. Ninguém disse que ela seria fácil. Bom, não serei eu a dizer que ela é difícil. Como a amadora clichê que sou, devo entoar mais algumas daquelas frases feitas para auto-consolo.
"Devemos aprender com as dificuldades". "Nada é por acaso". "Há males que vem pro bem". E tantas outras... Clichês, sim. Mentiras, nunca.
Recomeçar é mais fácil se olharmos pro passado como um caminho de aprendizado, quando temos a certeza que fizemos, ou pelo menos tentamos fazer, o certo. O passado é respeitado, amado, mas passou. É importante estar pronto para um recomeço ou mesmo para começar. Algo novo, diferente, algo que também valha a pena viver.
A vida não é difícil se notarmos o quão efêmera é. A dor é parte dela, por isso é preciso aproveitá-la tanto quanto as alegrias. Destas saímos iguais, das dores saímos mais fortes.

W.A.M.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

?


Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? O que é melhor, chocolate ou morango? Vim do macaco ou de uma costela?
Será que faço meu destino ou os astros que o fazem? Essa roupa engorda? Doce ou salgado? Suave ou apimentado?
Haverá cura pro câncer? E sexo, faz bem pra saúde ou é pecado mortal?
Plutão é o limite? Existe vida na lua? Colo de mãe ou de vó?
Há respostas pra todas indagações?

O mundo é movido por perguntas e nós não temos todas as respostas.

W.A.M.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Humpty dumpty


Há uma linha tênue entre o amor e o ódio. Por que então escolher o segundo? Incapacidade de cruza-la?
Talvez eu esteja ali, em cima dela, como um Humpty-dumpty de saias. Indecisa. Ali prefiro estar. Minha indecisão me faz humana. Minha incerteza, viva. Não quero ter certeza de nada. Nem disso estou certa.
Olho ao meu redor e vejo tanta certeza. Quer saber? Tenho preguiça para discussões. Geralmente são tentativas de fazer-me aceitar um ponto de vista como meu, convencer-me de que minha opinião é absurda. Me fazer notar o quão burra sempre fui.
Na verdade, ninguém precisa me dizer isso. Sim, sou burra, tola, divagante. Minha natureza me faz indagar para tentar descobrir o que nos move, como tudo funciona. Minha opinião pode mudar. DEVE mudar.
Odeie o que amo, mas não tente me convencer do contrário. Se limite a amar. Amar o que lhe diz respeito. Me mostre o seu ponto de vista e aprenderei com você. A dialética deve construir pontes, não muros.

W.A.M.

Vontades


Eu não quero ter a ignorância dos certos ou a tristeza dos espertos. Não quero mais ver chegar janeiro sonhando com dezembro.
Quero banho de chuva em plena avenida. Quero montanha-russa, maçã do amor. Eu não quero ser maria-fumaça, no trilho. Prefiro nadar em Nicarágua ou um desestruturante abalo sísmico.
Quero proteger Geny, pagar uma cerveja pra Pagu. Cantarolar Joplin ao lado de Bettie Page.
Não venha me dizer a altura da queda, ao sair esqueço meu para-quedas. Não quero ter que calar o meu canto. Prefiro desafinar em praça pública. Morrer e matar de amor.
Sujar de lama o all star novo. Usar na segunda a roupa de domingo.
Quero um caso de amor com a vida até que a morte nos separe.

W.A.M.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Ligada no 3


Tenho paixão pelo novo. Por aquilo que surpreende, entrelaça as entranhas e dói de prazer. Quebrar rotinas, saltar sem medir a queda, arriscar no impensável. Tenho paixão pelo instável.
Há beleza no feio. Naquilo que ninguém quer. No nunca antes explorado. O inatingível me seduz. Arriscar vicia como adrenalina rasgando as veias, esquentando o corpo.
O risco é um vício. Um círculo vicioso para ser exata. Nunca satisfaz, nunca é o bastante. Mais ou menos como um ventilador. Roda e roda sempre no mesmo lugar, com um campo de alcance limitado. Ainda assim prazeroso, refrescante, inigualável.
Arriscar é um vício que acalma. Como um carinho de uma brisa em um dia quente de verão.

W.A.M.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

...

Hoje um conhecido morreu. Assassinado, porque cometeu um grave crime. Era homossexual.
Não tenho como descrever o tamanho da minha indignação. Não porque o conhecia, mas pela falta de caráter e escrúpulos de alguns que se entitulam seres-humanos.

Que crime foi esse? Amar? Sim. AMAR! Por que não importa o gênero entre os apaixonados, se estão juntos é por amor. Por que alguém deveria, mesmo com atração pelo mesmo sexo, se relacionar com alguém do oposto? Porque a sociedade assim impõe. Porque a moral [uma série de regras impostas socialmente e culturalmente] e os bons costumes estariam afetados. PIOR, por que afetaria a visão dos "homens de bem".

"Não consigo ver 2 pessoas do mesmo sexo juntas", "acho nojento", "é ridículo".

Nojento é alguém julgar outrem por ter um diferente desejo sexual. Sim, porque não deve ser opção, nem "orientação". Ninguém escolher ser deixado à margem da sociedade porque é considerado diferente do pré-estabelecido.

Nojento é ver pessoas trabalhadoras, altruístas, felizes, amadas, sofrendo por um preconceito estúpido e irracional.

Ok que você não esteja acostumado com isso, não posso mudar seus sentimentos, mas não respeitar??! Falta de respeito com coisas que vão desde opiniões a sexualidade e raça foi o que fez o mundo ser desprezível. Isso formou guerras, mortes...

Sangue inocente é derramado todo dia por causa de egocêntricos que tem preguiça de pensar. Ou melhor... que nem se deram o trabalho de ler, de crescer, de expandir a visão e a mente.

Que coisas maravilhosas caiam sobre os de bem. Sejam gays ou héteros. Negros, judeus ou caucasianos. Aliás... sobre os humanos de bem.

O maior preconceituoso foi quem nos dividiu em tantas partes quando, no fim, somos a mesma carne e osso que um dia apodrecerão.

W.A.M.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Texto de Victor Ribeiro


"Sabe, eu tava pensando, pessoas são como camisas. Você tem várias, umas especiais outras que você deixa jogada em qualquer lugar, existem aquelas que “todos” gostam e as que “todos” odeiam, mas sempre alguém precisa delas. Existem também aquelas que combinam perfeitamente com você e aquelas que fazem você parecer um idiota na frente de todo mundo, tem aquela que você pensou que ia ficar perfeita, mas quando foi usar, foi uma decepção, não era a mesma coisa que você viu na loja, vai entender...

Pessoas, realmente são como camisas e, o que mais se assemelha nessas duas “coisas”, se assim eu puder colocar, é que durante sua vida você tem várias dela. Umas você só usa uma vez, outras ficam pelo caminho, esquecidas ou guardadas naquele lugarzinho especial no baú nostálgico que se torna nossa memória com o passar dos anos. Mas tem aquelas que, desde quando você as obteve nunca te abandonaram... e estão aí, um pouco esfarrapadas, meio “fora de moda”, mas são aquelas que você deseja nunca se livrar.

Eu acho que entre pessoas e camisas seria menos numeroso apontar as diferenças do que as semelhanças, mas tenho certeza que apesar de tudo, todas tiveram sua “ocasião especial”. Mas quer saber? Só espero que no “final” eu tenha algumas camisas que ainda me façam sorrir."

Texto de Victor Ribeiro. Mocinho que escreve muito bem e tem umas ideias muito legais. =]