sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Big Apple

Engrandecedor é sentir um amor maior que os erros, que os defeitos, mesmo que os seus princípios sejam outros. Porque amizade é o sentimento mais nobre que há.
Como uma árvore. Dá trabalho para plantar, mas é fácil colher os frutos.
Não deixe ninguém roubar sua maçã.

W.A.M.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mundo envenenado, tomei minha vacina

Quando os princípios perdem-se e o egoísmo toma conta, o que fazer?
Traição é suja, é desprezível. É trocar o amor que lhe fora doado por momentânea satisfação pessoal. Submeter alguém ao seu prazer vivendo com mentiras repetidas como verdades. Hitler fez isso com milhares.
Amigos e amores não são descartáveis ou utilizáveis da maneira que melhor lhe agradar. Devem ser vistos como ramificações do seu próprio ser. Você cuidaria bem do seu corpo e sentimentos, porque fazer o contrário com outrem?
"Não se deve fazer de amizade uma moeda de troca". Justo! Mas nenhuma relacionamento é unilateral, a não ser o narcisista e seu espelho e esse ainda ama o outro refletido e não a si.
Quando o espelho quebra você ainda pode ver os cacos pelo reflexo. Alguns se sentem bem em transformar o outro em caco, pois ainda assim podem se ver neles.
Tomei minha vacina contra pessoas e espelhos. Espero que funcione.

W.A.M.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Quelóide


Não é preciso ter vergonha de sentir, mesmo que tudo o que você sinta seja o medo. O puro medo de sentir. Mesmo que esse medo cause-lhe uma vergonha intensa.

O problema é quando se quer sentir medo. Sem ele feridas abririam, algumas reabririam, já que o alzheimer não afeta a alma.

Na verdade deve-se simplesmente sentir. Com a alma, com a cabeça, com o coração, com o corpo. Sentir intensamente o que a vida oferece e tantas vezes as ofertas são recusadas pelo medo. Mas o que seria do ser-humano sem o medo? Alguns só se reconhecem com ele.

Seria isso medo de fato ou apenas precaução? Seria isso ser covarde? Algumas perguntas parecem fáceis de responder quando a cicatriz não está na sua pele.

Quando se sente acuado, o verdadeiro medo a se ter é o de ser você mesmo. Ou deveria- se ter, na verdade, vergonha disso? Muito tarde para perguntas quando o mundo pressiona por respostas e você se vê cansado demais para responder.

A quelóide na alma deixa marcas maiores.


W.A.M.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A pior inimiga

Ela olhava pra outra garota com um asco nunca sentido antes. Conviver com ela causava-lhe enjôo, náuseas... A garota sugava cada pedaço do seu ser como se não a respeitasse, como se ela pudesse violar cada um ao seu redor.
O problema era esse. Aquela a quem olhava era só uma garota. Uma menina imatura e insegura em relação aos outros que se agarrara a ela com força demais. Com uma demência que atrofiava a frágil barreira entre ambas.
Não aguentava mais. Utilizou da violência para acabar com a menina a sua frente. Desabou quando viu os pedaços no chão e notou que a menina ainda estava ali. Refletida nos restos.

W.A.M.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Feliz dia do amigo!




Um amigo não ama pela metade. Amizade deve ser intensa, densa, encorpada, como se fosse o sentimento mais sublime do mundo.

Um amigo tem sempre dois lados: o belo e o feio. Não como amigo, mas como pessoa. Qualidades e defeitos convivem e tornam os seres ainda mais apaixonantes. Os defeitos podem levar um a pensar que o outro tem um lado feio. Mas se ele não errar como amigo, não for desleal, falso, aproveitador, os defeitos inerentes ao ser são relevados. Um amigo só é amigo quando conhece o defeito do outro e ainda assim gosta dele.

Amigos são a família que escolhemos. Quantas vezes já ouvi isso? Só concordo parcialmente. O que falar daqueles que não escolhemos? Amizade é um sentimento e não é possível mandar no coração. Se reconhece um amigo quando seu coração bate por ele sem que seja necessário uma ocasião especial ou "eu te amos" desmedidos. O coração sabe quem esta do seu lado antes que você racionalize isso.

É quando a amizade fala sozinha que vêm os momentos mais importantes de uma vida. O que dizer de um eu te amo dito do nada, sem motivo, sem necessidade? O que dizer quando os anos separam, mas o amor une?
Passamos a vida toda procurando o cara ou a garota que envelhecerá conosco, que estará perto quando precisarmos, mas esquecemos que quem estará sempre do nosso lado provavelmente já estava nas nossas vidas há muito tempo.

Paixões passam, amizades permanecem. Por que estar apaixonado por alguém é necessário, é uma doença que simplesmente ataca subitamente. Mas amor? Amar é pra poucos e pra aguentar um amigo rindo ou chorando, é preciso ser digno para amar e ser amado.

Obrigada a todos os meus amigos que confiam em mim, me amam e, principalmente, me aguentam. Não é fácil. Aguentam minhas bobagens, meus surtos, minhas frescuras, meus defeitos. Se você já aguentou isso e ainda assim está comigo, você com certeza é meu amigo.] e eu não tenho palavras pra agradecer e pra descrever a importência desse sentimento na minha vida.

Feliz dia do amigo aos meus e àqueles que entendem o valor de uma amziade!

W.A.M.

terça-feira, 29 de junho de 2010

A ponte de Londres está caindo ♪

Tinha um quê de não estar entendendo o que estava na ponta de seu nariz. Não conseguia desmitificar o que antes parecia um livro aberto. Sua lente era apenas para miopia, não para entrelinhas.

Foi um afastamento repentino. Uma distância continuamente aumentada por um não existir de palavras. Palavras não caminhavam mais entre elas. Até caminhavam, mas a ponte era mal feita, escorregadia, parecia feita em Londres.

Quando as palavras deixam de existir só o que vem à boca são restos numa ânsia de vômito incontrolável de regurgitar o que poderia continuar sendo se não parassem de ter sido.

Então pra que continuar se palavras eram seu chão e elas desapareceram bem debaixo de seus pés. Pra que continuar se as palavras estancaram. Como ir em frente?

Os substantivos apenas não lhe bastavam. Necessitava de verbos para poder adjetivar o que fora e pronominar quem havia sido.

Necessitava. Era esse o verbo.

W.A.M.

terça-feira, 25 de maio de 2010

A vida em um embrulho




Os médicos o haviam esquecido lá, mas ele era obediente, mesmo com a idade avançada tinha noção do perigo. Não levantou sequer por um minuto.

No colo uma trouxa de pano bem amarrada nas pontas. Chegara lá já fazia algum tempo, mas nunca deixava aquele embrulho sozinho. O segurava com os braços sôfregos para garantir que não caísse dos joelhos castigados.

No rosto uma expressão de conformação. Mas disso ele não sabia, nunca tivera espelhos em casa. Nos pés as sandálias de dedo feitas a mão quando ainda conseguia empunhar uma ferramenta. No pescoço, o catéter fazia questão de mostrar a todos os transeuntes que aquele homem sofria.

Do lado de fora das grades, a vida acontecia. Pessoas seguiam seu rumo onde só havia o relógio a frente. Ninguém notava o homem do lado de dentro da grade, sentado em um banco de praça. As costas reclamavam, mas ele aguentara coisas piores.

Em volta do pulso, o terço de contas azuis que costumava carregar no pescoço. Nos olhos uma paz angustiante de quem sabe que tem pouco tempo para viver o que havia deixado para fazer em muito mais tempo.

Ele continuava ali, sentado. A espera da próxima sessão de hemodiálise, ainda com os antebraços cheios de curativo da semana anterior. Ele não se importava.

A casa deixara para trás em busca de um vintém de esperança, tudo que havia de valor, levara na trouxa: Um cobertor, o chapéu de palha que fora de seu pai, as bolas de gude do filho enterrado, o camafeu da esposa assassinada e uma foto de família. O único lugar onde ainda deixava-se ver no espelho com a esperança de um dia conseguir voltar a sorrir como na imagem.

Atrás, a dedicatória: Ao meu querido esposo, para guardar na lembrança a família linda que somos e, se um dia não o formos mais, não deixar que os vermes da terra corroam sua carne antes do fim.

W.A.M.

Sou uma ladra



Sou Alice perdida no país das maravilhas, querendo encontrar um caminho para chegar onde desejo. Sou uma ninfa que corre em campo aberto colhendo sorrisos.

Sou um Herói que ainda não findou seus 12 trabalhos. Sou Peter Pan que não quer crescer e, mesmo assim, teima em procurar a sombra. Sou uma Górgona que transforma outrem em pedra com simples um olhar.

Forrest Gump aprendeu a contar histórias comigo, sua Sherazade. Não sou de lataria como Bumbblebee, mas posso me transformar em pouco tempo.

Sou uma poesia de Vinícius de Moraes. Estou nas palavras de Clarice Lispector.

Derrotei Minotauros, mas ainda não consegui desvendar o enigma da esfinge. Sou um centauro sagitariano: metade mulher armada, metade um cavalo selvagem.

Como sereia, atraí marinheiros e fui atraída por eles. Se ofendida, sou capaz de matar o cão de três cabeças no portão de Hades.

Sou um Alexandre com mania de grandeza, sou uma Afrodite em busca de Apolo. Sou uma fã de Beatles em tempos de NX Zero.

Sou uma atriz de teatro sem as luzes da ribalta. Sou uma Rock Star em busca da batida perfeita.Dionísio me levou à perdição.

Sou Dante Alighieri tentando reinventar uma língua. Sou um Machado de Assis que não deseja dedicar suas memórias aos vermes que corroerão sua carne.

Sou Capitú e posso te afogar na ressaca dos meus olhos. Sou Wolverine, meu poder de regeneração nunca falha.

Sou alguém que não sabe quem é e tem que apropiar-se de personagens para entender o próprio reflexo no espelho.

W.A.M.

sábado, 22 de maio de 2010

Who?

Mentir para aproximar-se de alguém é como um velho Del Rey. Pega se empurrado, mas morre na primeira esquina.
Ele é rei. Quem é você?

W.A.M.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Memórias de um cético sentimental





Desacreditei do tempo. Ele voa demais para que alguém possa senti-lo, saborea-lo, deliciar-se. Ele voa e leva o sorriso daquela amiga, o olhar de quem se gosta, o perfume que marcou. Mas ele também pára. Pára na aula chata, no trânsito... Pára na dor, no pranto. O tempo é uma agulha que vai desenhando uma história na
pele e de repente estanca. Sangra. E dói. Só ele apaga es
sa dor.

Desacreditei do espaço. Hoje pertenço a este lugar, amanhã a outro. Hoje me sinto em casa, ontem não era bem assim. Alguns têm espaço suficiente para construir uma vida, cimentar cada tijolo e uni-los. Outros levam a vida escolhendo a argamassa. Se a casa é onde mora o coração, é uma pena que os corações não batam na mesma sintonia.

Desacreditei do amor. Ele ludibria, trapaceia
, mente, mata. Ele te deixa em um êxtase quase narcótico. El
e te droga. Faz ver o ser amado em tudo, te leva à alegria excessiva. Mas você descobre que não ama o ser e sim o ideal. O ideal de alguém que se forma na mente, mas aí o príncipe não usa a cela correta e cai do cavalo, com ele o brasão da realeza se quebra e no fim você acaba descobrindo que o título era fajuto.


Desacreditei das pessoas. Elas são capazes de tudo para derrubar uns aos outros. Elas brigam, matam, roubam, vivem. Elas sentem ciúme e estragam amizades. Elas pensam possuir umas as outras quando, no fim, não possuem o próprio coração que acabará entre as minhocas da terra. Elas enganam e manipulam. E o pior! Elas crêem
no tempo, procuram seu espaço e distribuem declarações de amor antes mesmo de ter certeza do ritmo no qual bate o coração.

Desacreditei do próprio coração. Este é vítima frequente da inveja, ciúme, prepotência dos outros. E, principalmente, ele não sabe amar. É irracional.

Desacreditei do cérebro. É racional demais. Formula hipóteses e procura consequências. Tenta prevenir dos males vindouros. Ou simplesmente maquina sem parar atrás de uma forma de fazer mal a alguém.



Acreditei no tempo. Apesar de não apagar as cicatrizes, apaga a dor.
Acreditei no espaço. Um dia se acha o lugar onde se pertence.
Acreditei no amor. Há várias formas de amar. O carnal pode ser efêmero, mas é intenso.
Acreditei no coração. Não é pecado amar. Pecado é ter medo de ser amado.
Acreditei no cérebro. Evita dores e articula a vida.

Não me peça pra acreditar nas pessoas.

W.A.M.