quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nó cego

Linhas traçadas naquelas mãos sofridas
Traçadas, laçadas, entrelaçadas
Fazendo 1 trajeto impossível de desvencilhar
Elas enroscam em outras linhas e formam um nó
Apertado, justo como o olhar dos amantes
Duas solitárias criaturas amarrando a linha da vida à linha do amor
A linha rabiscada daquelas mãos
Cheia de intervenções, mistérios, rudes ocasiões aprisionantes e defectíveis
A linhas laçavam umas às outras
Como intermitências sorridentes e caleidoscópicas
Abatida, a dona daqueles caminhos, caiu
Caiu em si, caiu no outro
Levou consigo suas linhas interrompidas e sua pele ríspida e calejada
Abatida, só conseguia pensar naquelas mãos acetinadas que um dia entrelaçaram-se com as suas
E não mais que de repente, ainda se vê presa por um nó que a segura
De um modo que a permite cair, mas que não a deixa chegar ao chão.

{Sobre a minha intermitência mais defectível. A única interferência no meu coração.}

W.A.M.

sábado, 26 de setembro de 2009

Numerologia

Quando se tem mais coisa pra fazer é que se arruma mais inutilidades para ver. Foi aí que dui atrás de ver minha numerologia na internet e fiquei até satisfeita. Parece muito comigo. Aqui vai:



Lição
DE VIDA
3
O numero de sua data de nascimento. O que viemos aprender nesta jornada, assim como dificuldades a serem superadas.
-->
3.
Aprenda a se expressar com clareza, pois possui esse dom, quer falando, escrevendo ou representando. Desenvolva a persistência, a firmeza e a tenacidade, procurando seguir suas intuições. Seja criativo, pois possui boa imaginação e senso de humor, o que muito o ajudará socialmente. Evite dispersar talentos, direcione sua energia para objetivos firmes e concretos. Desenvolva o senso de responsabilidade. Não seja impaciente nem crítico demais.



SUA
ALMA


5
Sentimentos mais profundos, o que nos motiva, experiências e informações acumuladas para lidarmos nesta encarnação. O numero referente às vogais de seu nome.
-->
5.
Atuante, muito inteligente, versátil, dinâmico, você tem facilidade de adaptação à qualquer ambiente. Aventureiro, magnético, inclinação filosófica e intelectual, gosta de viagens, de investigar, de mudanças e de promover eventos; está sempre em busca de aventuras para conhecer o novo. Ama a liberdade.
Deve cultivar paciência e a concentração, pois como é muito rápido, perde o interesse pelas coisas ou por alguém com a mesma facilidade com que as conquistou. Não gosta de rotina e pormenores.



SUA APARÊNCIA

7
Nosso eu exterior ou impressão que causamos aos outros. Como somos julgados à primeira vista. Ex: como estamos vestidos, nosso tipo físico, atitudes, etc... Mas só aqueles que nos conhecem na intimidade nos conhecem verdadeiramente. O numero referente às consoantes de seu nome.
-->
7.
Distinto e muito refinado, aparenta ar de intelectual, mas veste-se com sobriedade. Intuitivo, reservado, observador, sente-se atraído pelo místico, sempre buscando compreender as leis espirituais. Solitário sempre absorvido pelos pensamentos, não permite a invasão da sua privacidade. Não recebe bem uma brincadeira fora de hora. Gosta de estar em contato com a natureza, com a quietude para meditar. É de pouco falar.



O QUE
VOCÊ É

3
Todas as letras que compõem seu nome.
-->
3.
Jovialidade, alegria e popularidade nos ambientes que frequenta, estão muito presentes em você. És uma pessoa dotada de grande talento para se expressar, quer falando, quer escrevendo ou ainda em qualquer área de comunicação, pois possui elevada criatividade. Sabe se fazer admirar pois está sempre bem informado. De caráter franco e leal, aprecia estar com a família e não se aborrece com facilidade. Possui força de vontade e muita determinação. Facilidade para ganhos. Fique atento para não desperdiçar talentos e supere as eventuais críticas. Tenha sempre um objetivo.



DESEJO INSTINTIVO

a
A primeira vogal do nome, mostra nossos impulsos emocionais e como reagimos diante de estímulos externos. Descubra como reage aquele (a) que você ama.
-->
A
Interesse por idéias novas, gosta de mostrar criatividade. Prazer em sentir-se diferente e defender seu ponto de vista mesmo que o mundo inteiro esteja contra. Não gosta de sentir-se dirigido e tem tendências a aceitar conselhos somente quando coincidirem com aquilo que acredita.
Conselho: Seja bem sutil e discreta ao impor suas vontades.



SEU NÚMERO DE PODER

6
Todas as letras que compõem seu nome, mais a sua Data de Nascimento. Essa vibração ajuda no aprendizado de nossa missão ou lição de vida. Aquilo que você acertou com a Divindade antes de nascer. Funciona como um farol dirigindo nossa vida.
-->
6.
Tem o poder da conciliação, bondade e equilíbrio, é excelente mediador podendo ser o grande pilar da harmonia principalmente junto à família.




quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Nota mental de hoje

Quem foi que disse que é preciso de muito pra sorrir?
Se a dor aperta o peito, respire fundo até ela ir embora. Porque da dor podem sair as mais belas poesias, mas é da alegria que vem o porquê de viver e sem vida não há arte.
Tentar consertar as coisas ou desviar os elementos de seu destino derradeiro de nada adianta. O que adianta é fazer a sua parte para ajudar o futuro, mas nele ninguém pode mexer.
A tristeza de hoje pode ser a alegria de amanhã. O importante é balançar as asas de fogo e lembrar que quando elas virarem cinza, voltarão a queimar de vida no próximo capítulo.

W.A.M.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Na corrida pelo ouro de tolo

Um turbilhão louco de sentimentos disputa uma corrida na minha cabeça como se a bandeira quadriculada nunca chegasse.
Afinal, o que é felicidade para você?
Estar com os amigos? Trabalhar o dia todo? Um jantar em família? Sorrir? Ser feliz parece ser tão simples, mas esse sentimento de um xadrez traiçoeiro, ludibria.
Para uns felicidade é estar com pessoas amadas, mas e quando você exige demais simplesmente porque crê que dá demais? Você ao menos tem o direito de fazê-lo?
Não se sabe... O que sei é que a vida é uma doação infinita, onde a minha felicidade depende da felicidade dos meus amigos, mas em alguns momentos a vida também é escambo.
O que aprendi é que nada mais é certo, porque quando você tem pessoas a quem recorrer, elas podem ir apenas por conveniência ou porque encontraram alguém que as entenda melhor. Elas sempre estão preocupadas com você quando está sorrindo, mas viram um trio de macaquinhos quando lhe vêem chorar. Ou melhor, como um dos macacos faz, simplesmente não vêem.
Ser feliz é tão simples... Mas o que é? Contar seus problemas pra uma boa amiga? Ouvir aquele amigo triste? Estar com um cara legal? Ter um jantar de família regado com álbuns antigos? Algumas pessoas simplesmente não têm isso. Mas porque reclamar mesmo? Outras não têm jantar em família porque não têm o que comer...
E se o escambo vier, por favor, guardem o ouro de tolo, pois a essa altura já aconteceu um engavetamento na minha cabeça e vai levar tempo pro reboque chegar.

{E isso não tem que fazer sentido, aliás, não fez! É só o meu racha mental que ainda não cessou...}


W.A.M.

domingo, 13 de setembro de 2009

O pecado da criação

E quando a boca foi calada, o rosto empalideceu e virou moldura. Uma tela em branco onde outra boca era desenhada, pintada, detalhada em cada pequeno traço.

Logo a branca tela tornou-se rubra e quente como se estivesse sendo pintada com o fogo da paixão mais doce e perversa, mais singela e arrebatadora.

O desenho foi tomando vida. Traços e cores surgiram como se fosse o dedo de Deus desenhando um Adão que já existia, mas precisava de fôlego para começar a viver. Não foi do pó que esse Adão surgiu, mas da boca de uma Afrodite que oferecia-lhe o mais suculento fruto existente.

Então vieram os olhos que demoraram, só eles, sete dias para ficarem prontos. Doces, profundos e cortantes olhos azuis-esverdeados onde poder-se-ia ver a criação, do azul infinito do firmamento e do reino de Poseidon, ao recanto sombrio e envolvente da mãe natureza.

A paixão tornou-se amor ao perder-se naqueles olhos de algodão, que pareciam ter uma forma diferente a cada olhar. Pareciam falar.

Estava completo, a não ser por uma costela que não faria falta. Era a vida finalmente bombeando seu sangue, como se antes faltasse uma metade e agora não mais.


W.A.M.

sábado, 5 de setembro de 2009

A fase escarlate de Picasso

Uma sem nome nas esquinas da vida. Uma pedinte de bares mesquinhos buscando uma alcova para o corpo, um Sinatra para o coração e algum Nietzsche para a mente.

Provocando em cada local o estranhamento como se não soubesse o que provocava um olhar faceiro de menina moleca tentando ser mulher.

Um vinho pra esquentar o coração e o pedaço de papel na mesa fétida. No papel, escrito em rubro batom, uma lembrança do imemorável prazer de um dia ter sido. Nas outras mesas, gargalhadas de entranhamento e um estranhamento qualquer.

Sarjeta mais uma vez, com as faces rubras de desejo e vergonha de não ser o vermelho e sim o azul. O azul de um mar perdido na fase mais sombria de Picasso. Talvez por isso não lembrasse onde estaríam seus olhos.

Ela via com a boca e beijava com o olhar. Mas ninguém a olhava nos olhos.

Enlouqueceu.

Na demência que entorpecia o corpo, se fez mulher. Buscou a felicidade em outros olhos, outras bocas, outros corpos, em outros... Gritou, chorou, amou, riu. Simplesmente riu.

Enfim tornou-se vermelha. Vermelha como uma simples letra escarlate.

Então, ela queimou.

W.A.M.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vivendo pleonasticamente

E se pudesse descrever, a palavra seria tortura. Não uma tortura qualquer, mas aquela que envolve em algemas e chicotes de couro, te aprisionando entre a dor e o prazer.

Esse torpor é a maior ambiguidade pela qual pode-se passar. O ápice do equilibrista que vai até o fim da corda bamba. O sofrimento da bailarina que contunde o joelho e torna-se fadada ao esquecimento.
Nada dói mais que ser deixado de lado quando anseia-se por um olhar num banco frio de praça.

A dor carnal é suportável, ela passa e não deixa vestígios, no máximo cicatrizes. A outra dor, dói! E doendo persegue, maltrata, corrói...

Que doce o pleonasmo de viver. É a dor maior, que mais enche de vida e ensina a amadurecer.

W.A.M.

domingo, 23 de agosto de 2009

The most important felling

Amizade não é um estar entre muitos, mas um estar com uma pessoa e sentir-se cercado.
Não é um eu te amo ao fim de uma ligação, mas um olhar nos olhos.
Não é um estou do seu lado, mas um estou longe e mora dentro de mim.
Amizade é uma carona de madrugada, uma conversa até altas horas, fazer rir.
Amizade é implicar, é encher o saco do outro só porque a intimidade deixa.
É saber que aquela implicância só é possível pela exagerada necessidade de demonstrar amor.
Amizade não é um falar sem parar das coisas da vida, é um estar em silêncio de não sentir-se constrangido. É deixar as entrelinhas preencherem o vazio deixado pelo dizer desnescessário.
Mas amizade também é falar as coisas da vida e sentir-se à vontade em contá-las pela certeza de, simplesmente, ser ouvido.
Amizade é um "te amo mais do que você me ama" e não se importar.
É um carinho no rosto e também um tapa na nuca, por que não?
É pôr o pé, só de pirraça, pro outro cair e ajudar a levantar.
É cair e saber que ao levantar vai receber um abraço.
é namorar e não chamar de namorado (a).
Amizade é receber um ligação quando está doente.
É ficar parecido com a convivência, ou descobrir as semelhanças.
Ou, simplesmnente, descobrir que não há nada em comum além do respeito mútuo.
Amizade é guardar segredo mesmo que o outro não o tenha pedido.
É sentir um carinho sem explicação.
É contar seus segredos mais profundos.
É não contar segredos, mas conhecer as pessoas certas para sabê-los.
Amizade é um simples beijo na testa.
Um segurar de mãos na dor.
É conhecer um pessoa há meses e parecer décadas.
É saber que por mais que sinta-se só, não está.
Que daqui a alguns anos, mesmo que a convivência não seja a mesma, a amizade o será.

W.A.M.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael não morreu!




Existe uma nova divisão na história e hoje os calendários dividem-se. Há o Antes de Michael e o Depois de Michael. Aquele que em vida foi considerado menos influente e conhecido apenas que o rei dos Hebreus.


Surpresa e incredulidade tomam conta da população mundial. Hoje, todos nós, amantes da música, sentimos como se nosso pai tivesse morrido. Aliás, "como se" não... ele morreu. E como acreditar se ainda ontem ouvia o cd Off the Wall e dizia que mostraria suas músicas a meus filhos e diria: "Tá vendo aquele senhor na cadeira de rodas na tv? É o rei do pop. Mamãe o viu na ativa ainda". Hoje sei que direi o mesmo, mas apontando para um pôster inanimado que nem sequer poderá passar o mesmo brilho que ele teve.

Me sinto, como muitos, começando a perder o chão. O que faremos quando os grandes revolucionários da música todos se forem? O rock morreu com Elvis e Lennon (aliás, só nos resta 2 Beatles). O blues morreu com Miles Davis. O funk (falo do bom funk, não do carioca) foi embora com James Brown e Tim Maia. Os hinos dos apaixonados se foram com Frank Sinatra. O samba se foi com Cartola e Noel Rosa.A MPB foi enterrada junto com Tom Jobim.

Perdas irreparáveis. Danos incomensuráveis. E agora? "Quem será o novo Michael Jackson?"
Eu digo: Ninguém! Ninguém substitui gênios. E ele era um gênio. Gênio da música, das performances, dos palcos. Quem dançava como Michael Jackson? Quem ia para a frente, em pé e sem cair? Quem fez o Moonwalk com tamanha leveza? Quem podia vestir um "maiô" dourado por cima da roupa e ser aclamado por milhões?

Os feitos dele foram revolucionários e mundo confirmou isso o coroando o Rei e colocando seu disco na colocação do mais vendido do mundo. 180 milhões de cópias vendidas. Isso é quase a população de um país de dimensões imensas como o Brasil. Antes de Thriller os clips eram sem vida. Ele deu vida aos clips e deu uma nova batida, um novo ritmo ao popular.

Não tratemos esse 25 de março de 2009 como o dia no qual morreu o cara bizarro, excêntrico, acusado de pedofilia, que tinha um vitiligo suspeito. Lembremos como o dia no qual o inventor do clip e de tudo que sabemos sobre o verdadeiro Pop, se foi. O homem que flutuava para trás nos palcos, está fazendo isso em uma nuvem por aí. Mas ele só se foi do meio de nós mortais.

Grandes homens não morrem, eles vivem enquanto lembrarmos de seus grandes feitos.
O Michael? Foi só bater um papinho com Elvis e volta já.

Só espero que, tão cedo, não nos sejam arrancadas todas nossas majestades.

W.A.M., em texto escrito D.M.

sábado, 9 de maio de 2009

Mãe: Anjinha ou diabinha?

Ontem li um texto no blog do Oscar Filho [ http://blogoscarfilho.zip.net/ ], no qual ele conta histórias com a sua mãe. Na hora me vieram algumas lembranças à cabeça e tive de compartilhar isso por aqui.

Eu não tenho muuuuitas histórias memoráveis com minha mãe, mas algumas me marcaram.
Como quando meu pai tinha uma Kombi [quem não conhecer esse artefato arcaico, favor procurar no Google] que carregava a família toda. Um dia, no meu aniversário de 6 anos [creio eu], fomos ao Zoo com a família materna toda e, no caminho, vi um lugar com uma placa enorme ecrita: "motel alguma-coisa-que-nã-recordo". Perguntei a ela o que era motel. Ela disse que era o mesmo que hotel. E eu, já pentelha e chata, disse que não era não. Depois de muita discussão eu disse que ia chamar de motel, porque era mais bonito e ela dizendo que ia me dar uma surra toda vez que o fizesse. =s

Por falar em pentelha, minha mãe foi uma das minhas primeiras professoras, ela que me alfabetizou e desde essa época, eu já me fazia de santinha no colégio por causa da mãe professora e da tia secretária. Fazia as coisas sempre na cara-de-pau sem ela ver. Mas um dia deu errado. Eu disse uns palavrões pra um colega, o pentelho do Jardel, e ele disse pra mamãe que saiu correndo com o tamnaco atrás de mim, enquanto eu pulava as cadeiras e todos riam. Isso é coisa que mãe faça? Podia ter me traumatizado...

Mas por falar em traumas e informações erradas relacionados à mamãe, lembro de quando a perguntei o que era menstruação e ela disse: "no tempo certo, você vai saber". Odiava aquilo! O negócio é que chegou o dia, passei o dia morrendo de dor, levei um dos maiores sustos da minha vida e só depois ela me explicou e ainda sem dizer o nome maldito. Se toda menina dependesse de uma mãe como a minha pra entender das coisas, o mundo estava super-populoso...

O pior eram as gambiarras que ela fazia no meu cabelo. Primeiro que ela não o cortava, o cabelo chegou à bunda e eu lá... Ela pegava ele, entupia [literalmente] de creme e fazia mil tranças e laços e nós e, no outro dia, como nem dava pra pentear mesmo, era mais e mais creme... Depois perguntam porque fiquei careca.

Comigo já maior, minha mãe pregou mais uma peça em mim [não que a intenção fosse pregar peça] e mandou a amiga de infância dela, dona de um salão de cabeleireiros, me depilar. Lá vou eu fazer apenas a sobrancelha e DO NADA a mulher abaixa minhas calças sem nem pedir e avisa que minha mãe mandou fazer o contorno. Ela abaixou as calças sem permissão e me fez morrer de dor e sangrar pra caramba. Agora me digam se isso não foi um mandato de estupro feito pela minha própria mãe?

Eu poderia contar muitas outras histórias aqui, mas não lembro bem. Quando for lembrando, volto pra aumentar o post. Mas, não se enganem com a minha mãe... Ela é boa sim... É a melhor mãe que eu tenho! ;D

W.A.M.