sábado, 10 de dezembro de 2011

Parabéns, Lispector


Aniversário... Uma festa pra lembrar-nos do que resta. Uma data na qual olhamos pro futuro e perguntamo-nos. Como será daqui pra frente? O que será diferente? Esquecemos do que mais importa. O passado que construiu nossa história e o maior presente: o presente.

Nesses inexperientes 23 anos aprendi a viver. Apesar dos pesares que fizeram-me blindar aquilo que deveria continuar intacto. Viver para mim, para fazer alguém feliz. Aprendi a ter gosto pela vida.

Cada um tem a idade que carrega no coração. A idade é caracterizada pelas nossas experiências, sonhos, pelas vezes que choramos e pelos sorrisos que nos contagiaram. Qual seria a nossa idade se não soubéssemos a data do nascimento?

Escolho a idade do meu amigo Peter Pan. Uma adulta que não quer esquecer a criança, mas que não luta contra a idade. Que ela venha e traga aprendizado, conhecimento, sabedoria. Que traga um presente sempre melhor que o passado e menos produtivo que o futuro.

O que resta é uma vida inteira de intensidade.
W.A.M

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Só seja




A cada dia esse sentimento cresce mais e mais. Isso de ser feliz não importa por que ou com quem. Aliás... Importa sim. Ser feliz com a pessoa que arrebatou meu coração. Aquela que
dia após dia me faz sentir cheia de vida. Uma pessoa que é minha amiga e confidente. Eu.

Eu sou a pessoa que mais pode me fazer feliz. Sem meu amor próprio, sem minha confiança e sorriso não consigo continuar. Ninguém pode me deixar triste se eu não quiser. Felicidade pode vir ao lado do verbo estar. Melhor ainda é ser. Ser feliz. Se amar. Se não nos amamos, amamos mais ninguém e não serão capazes de nos amar.

Portanto não esteja. Seja feliz. Só depende de você.



W.A.M.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Desafio



O vazio sempre me completou. Talvez por falta de um bom preenchimento. Ou não, porque ser vazia é uma válvula de escape do sofrimento. Das dores de um coração que cansou de ser estraçalhado.

Tem horas que o vazio não mais preenche a não ser de solidão, tédio e desamor. Um recheio sem o aroma daquele perfume amadeirado, sem a visão de um sorriso bonito, sem ouvir palavras excitantes, sem o gosto do outro, sem o tato de uma mão protetora... Os sentidos se perdem na imensidão de uma cratera de insensibilidade. Perfeita por um tempo para proteger-se de uma dor maior. Depois apenas um esconderijo de si mesma e da capacidade de fazer alguém feliz.

Agora vejo um invólucro duro e sem vida utilizado como subterfúgio de uma vida sem emoção. Só não inquebrável. O desafio está aí... Será que alguém consegue quebrar?

W.A.M.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Descomplicando


Ouço choramingos diários de pessoas em busca da felicidade. Por anos meu interior também gritava por isso.

Eu e mais 7 bilhões tentando encontrar a felicidade, a pessoa certa... Quanta besteira. A felicidade está dentro de nós e em mais nenhum outro lugar. Somente nós podemos saber o que nos faz felizes e, geralmente, complicamos tanto o que é simples.

A felicidade está naquele banho depois de um dia cansativo, no chocolate depois do almoço, no sorriso de quem se gosta, em ser útil, numa mensagem recebida daquela pessoa, em se aceitar como é, em se amar, em amar alguém. Não que a felicidade precise de alguém para ser, mas como é bom compartilhá-la. Fazer alguém feliz. O sorriso do outro pode ser o maior alicerce pro seu próprio sorriso.

Portanto o importante é ser feliz e espalhar essa felicidade inerente a nós. Uma felicidade em respirar e sentir um ventinho no rosto a cada dia. Uma felicidade em ter com quem contar e estar disposto a ajudar. Em gostar de alguém e aproveitar aquele momento tenso e gostoso do início, da dúvida.

Felicidade... é tão fácil ser feliz. Por que complicamos tanto?

W.A.M.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Subtraindo

Cansei... É incrivelmente cansativo tentar e não conseguir, arriscar e tudo dar errado. Ser sempre mais uma "carente" em busca de algo que nunca se teve.

Como saber se é bom, se dá certo? O sentimento já o é. Pelo menos ele encaixa milimetricamente com os desejos mais ocultos. De que adianta se é unilateral.

É frustrante descobrir que lhe mentiram durante uma vida dizendo que a pessoa certa vai chegar... pura ilusão de uma romântica atordoada.

Aprendi com a matemática que 1 + 1 = 2. Aprendi com a vida que 1 + 1 = -1. Menos uma razão para tentar ser feliz. Somar não adianta se não está disposto (a) a dividir.

Melhor subtrair essa vontade.


W.A.M.



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Hein?


Não entendo. Entretanto tenho ciência de que minha ignorância me mantém firme. Portanto prefiro não entender. Seria mais fácil se os filmes fossem verídicos, se as bolas de cristais existissem. Seria fácil. Que graça há nisso?

A ignorância é uma benção. Tentamos entender o que os outros pensam, querem, sentem... A ansiedade pelo explícito diminui a beleza do mistério. Prefiro não entender, sou melhor assim.

O conhecimento vem aos poucos, sorrateiro... embriaga, aquece e torna a descoberta mais encantadora. Prefiro ter a inteligência dos ignorantes à certeza dos arrogantes.

A beleza está no mistério, em deixar acontecer. Sentimentos não foram feitos para serem entendidos, mas sentidos.

W.A.M.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

E daí?




Tenho preguiça para polêmicas. Parece uma declaração ignorante a ser feita a uma sociedade que necessita de autoafirmação. Só que não posso negar, as exposições narcisistas quanto as próprias opiniões me fazem bocejar, às vezes até causam aquele riso interno [melhor não externar].


Cada discussão acadêmica, "conversa filosófica", "diálogo saudável", exposição ideológica, "discussão engrandecedora" que presenciei não passaram de tentativas frustradas para mudar meus princípios a todo custo. Gostaria de recuperar tanto tempo perdido, tantas palavras putrefatas. Portanto não venha exigir minha saliva se não quer ouvir o que vem com ela. Eu não sou coorente.

Minha incoerência me dá possibilidade de mudar de ideia com o tempo. De crescer.
Tenho preguiça para convictos inveterados. Polêmicos em busca de brigas e não troca de conhecimento. Prefiro ideias expostas em livros, músicas. Em palavras ditas despretensiosamente. Que não busquem ferir os pensamentos alheios.

Se bem que pode ser que eu esteja errada. De qualquer forma você não precisa aceitar as letrinhas que juntei neste texto. Nem precisava ler até aqui.

Só peço um favor. Se quiser comentar não venha querer me convencer do quão errada estou, já se quiser dar sua opinião, ela será bem-vinda.

W.A.M.

sábado, 11 de junho de 2011

Dose diária


Foi aberta a temporada... de compras. O amor está no ar e tem cheiro de novo, de tinta fresca, finos chocolates suiços e rosas escolhidas a dedo.

Em todo dia 12 de junho é só olhar pro lado para ver uma garota com os olhos brilhando de felicidade ao desmanchar o laço elaborado pela vendedora que atendeu seu namorado. A moça solteira atrás do balcão que, todo mês de junho, empacota amores materializados no melhor que o dinheiro apaixonado pode pagar.

O difícil é entender porque os níveis de ocitocina elevam-se acima do normal em apenas um entre 365 dias. O hormônio do amor é passível de sofrer mudanças diariamente, por quaisquer estímulos. Um simples abraço durante todos os dias ao alvorecer, pode virar a dose de paixão que falta entre o café e o pão com manteiga.

Só há um dia dos namorados, é quando tudo parece mais colorido, os odores excitam e os lábios ardem ao toque, mas a paixão, esse estágio primário do amor, e o próprio, pode ser estimulada a cada instante. Mas como estimulá-la se nem ao menos sabemos lidar com ela.

Esse sentimento de dimensões patológicas vem do latim e significa algo como "suportar um momento difícil". Uma doença que as mais sapientes mentes humanas ainda estão longe de encontrar a cura.

O cheirinho de novo continua no ar, mas as flores murcham, os chocolates acabam, as roupas gastam. O importante é não deixar a paixão murchar, não acabar com a felicidade e não gastar tanto dinheiro em um só dia quando se pode "gastar" tempo cultivando a única doença que provoca "ferida que dói e não se sente".

W.A.M.

sábado, 4 de junho de 2011

Retorno proibido




O sentir que inunda.
A alma, a calma, a cama,
entranha.
Uma vontade louca de sentir.
De outro jeito, assim como quem (desesperadamente)
não quer nada.
Acalma o peito.
Que nada. A chama arde na pele febril nesse ninho de quem não quer ser junto,
mas sozinho.
Crema no fogo do pecado mais puro,
na lataria da máquina mais insana.
A dor de senti-la sem porquê, com razão,
sem motivo, com paixão.
Amor por essa dor de doer devagarinho.
Consumindo quem é deixando de ser.
Não o sendo mais se sente acuado,
sem ninguém na linha ou ao lado.
Linha ocupada, sem registro de chamada enquanto entra na contramão.
Suicídio de quem entrou no túnel com o farol desligado,
a guarda baixa e o coração na mão.

W.A.M.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A vida na porta


Um abrir de porta. Foi o bastou para que tudo começasse. As mãos que seguraram firmemente a maçaneta gasta, logo escorregaram da mesma com um suor frio. Quem diria que abrir a porta mudaria a vida daquele homem para sempre.

Do outro lado, estática nos degraus da frente, acompanhada por um senhor, estava ela. Vestido de chita em cor clara, fita no cabelo e sapatos modestos cobriam a pele alva. Os negros olhos baixos numa timidez inocente levantaram-se para fitar, como quem não quer nada, o moço à porta.

Alto, cabelos castanhos bem penteados, uma elegância natural mesmo em roupas baratas e um sorriso sincero de quem acabara de conhecer o céu.

"Walderi! Fale direito com sua prima!", alguém gritou lá de dentro. Falaria se encontrasse palavras. Estendeu-lhe a mão grossa e calejada e apertou uma outra. Pequena, porém também calejada dos anos de sofrimento e escravidão em um internato. Ela baixou mais ainda a cabeça bonita e tentou esconder a felicidade tímida que crescia no canto dos lábios.

Eles não sabiam, na verdade até imaginaram, mas naquele momento uma vida começava. Daquele simples abrir de porta, vieram cinco filhos, sete netos, dois bisnetos... Veio uma vida dura. Passaram fome, frio, medo. Mas juntos, tudo ficou mais fácil.

O encontro do homem sofrido do campo com a mulher inocente e trabalhadora do internato resultou em força, batalha, vontade de vencer. Juntos construíram uma casa, criaram filhos, conseguiram um patrimônio. Juntos. Talvez nada disso fosse possível se aquela porta não tivesse sido aberta pela pessoa certa, na hora certa.

Juntos viveram e hoje, mesmo sem ela, é pela doce moça da porta que ele vive e para quem deseja voltar. E toda noite sonha com o dia em que será a vez dela lhe abrir a porta.

[Texto inspirado em história real, contada pelo meu avô sobre como conheceu minha saudosa vozinha...]

W.A.M.